Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Valorizar o activo

29 de Agosto, 2019
Qualquer manual básico sobre gestão de recursos humanos, cuja leitura se faz obrigatória à todo o dirigente de determinada instituição, contém alguma referência, por mais simples que seja, sobre a quem recai a maior importância no segmento dos meios necessários para a realização das tarefas.
E é sabido que a referência recai aos recursos humanos, se preferirmos uma linguagem mais terra a terra, às pessoas, cuja capacidade racional faz movimentar tudo que gravita em torno de si, algumas delas se tornam robustas pelo exercício da sua acção, que é a fundamental em tudo e para tudo.
Dito de outro modo, a realização de qualquer tarefa só é possível com o concurso do homem, que é quem coloca em movimento a natureza, independentemente dos recursos que ela, a natureza, coloca à disposição do homem, que se não mexer uma palha, nada se move em direcção ao cumprimento do desejo.
Isso é assim em qualquer actividade, sem margens para interpretações que tentem justificar o contrário, o que nos faz ter o homem como o começo, o centro e o fim das realizações sociais, cuja existência se corporiza nas suas acções, que quanto mais unidos, promovem melhores resultados.
Em jeito de conclusão sumária, é o mesmo que dizer que, em tudo, o mais importante é o homem, factor cuja importância se exponencia quando em referência está o desporto, sobretudo nas modalidades colectivas, em que cada um tem a sua especificidade, e todas elas concorrem para um objectivo comum.
Mais do que isso, o que se impõe dizer é que o homem, enquanto activo das organizações, independentemente do carácter desta, é o que tem maior valor e deve ser respeitado, e só em última instância sofrer qualquer acção por via da qual se sinta magoado ou constrangido por outrem.
Serve o longo prefácio, para induzir os leitores à uma reflexão em torno dos vários casos que acontecem no nosso mosaico desportivo, em que o homem é visto como mero empregado ou prestador de serviço, por isso, sem o valor que de ciência está comprovado como sendo inigualável e de ímpar pertença.
A título de exemplo, o que a direcção do Petro de Luanda tentou fazer (ou fez?) com Job, é uma autêntica falta de respeito, a considerar verdadeiras as informações que me chegaram ao conhecimento, das quais pude perceber que a tentativa de descartar-se do ainda capitão do eixo viário foi uma acção, que raiou a deselegância e falta de consideração por aquilo que o jogador já fez para o clube.
Ficam salvaguardadas, claro, as razões objectivas que motivaram a direcção e equipa técnica tentar mandar para a rua o seu capitão, assim como a razão de quem reivindicou e forçou uma inversão de marcha por parte dos decisores do Petro, que não geriram o dossier com a cautela que os manuais recomendam.
E como que a aplicação do ditado segundo o qual “Deus escreve direito em linha tortas”, a resposta dada por Job, no jogo de domingo, pontuável para as eliminatórias de acesso à “champion africana”, foi como que uma chapada sem mãos à quem a cobrou.
Ou seja, o Petro esteve a beira de cometer uma borrada igual a que cometeu com anteriores capitães, dos quais destaco o Lamá e o Chará, que tiveram uma fase final da carreira sofrível, sem o reconhecimento – atenção que não disse agradecimento, se bem que mereciam -, por tudo que fizeram e representam para a história recente do Tricolores.
E atenção, que esta questão de desvalorização do principal activo das instituições desportivas é quase que um cancro de todas as instituições desportivas domésticas, algumas das quais chegam a deixar os jogadores sem salários durante largos meses e, mais grave que tudo, sem a mínima vírgula de informação, que sirva para amenizar a dor, caso seja possível.
Por fim, fica o apelo para a necessidade dos dirigentes desportivos angolanos apostarem na formação, sobretudo em gestão de recursos humanos, para ver se aprendem a valorizar e respeitar quem dá vida e movimento às instituições que dirigem e, por via delas, alguns fazem o seu pé-de-meia. Carlos Calongo

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