Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Vamos festa do Girabola Zap!

02 de Março, 2019
O Girabola é sempre assunto que provoca pano para muita manga. Ou seja, é um tema sempre apetecível de ser abordado, porque tem suco e sumo ainda que, em alguns casos, agri-doces por motivos de nuances que provocam a ira de quem vive e se entrega pela competição, como o adepto comum que, naturalmente, faz parte da extensa equipa que completa o grupo de agentes, que entram na composição do xadrez futebolístico.
Esta temática, proposta pelo meu colega e amigo Sérgio Vieira Dias, vem precisamente por razão de ter arrancado a segunda volta do nosso “association” com imensas expectativas à mistura já que, pelo que notamos da evolução das equipas no primeiro turno, elas se equiparam do ponto de vista competitivo. Aliás, a diferença pontual entre uma e outra, em função da evolução de posicionamento delas na tábua de classificação, diga-se, não é muito larga. Na verdade, só se estende e se alarga, a medida que elas se afastam do primeiro lugar. Mas, na paridade entre uns e outros que se seguem, há uma proximidade estreita entre eles.
Tudo isso reflecte, realmente, uma grande competitividade. Aliás, foi precisamente isso que pudemos presenciar, durante o evoluir da volta primeira da competição, onde o campeão nacional em título conseguiu, mais uma vez, suplantar-se às demais e terminar o turno no lugar cimeiro, superando, deste modo, a concorrência.
A vitória diante do Petro de Luanda, num jogo disputado em atraso, mas ao cair do pano da primeira volta, terá tido um peso substancial no que tange a qualidade psicológica, anímica e competitiva de uma equipa, como o 1º de Agosto, que se vem superando a si mesma.
O Petro de Luanda, tendo, na última fase, três jogos em atraso, por conseguinte com nove pontos para amealhar, conseguiu apenas e só quatro. Perdeu com o seu arqui-rival, no confronto directo; venceu o Clube Desportivo da Huíla (CDH) e empatou no Dundo, Lunda Norte, diante do Sagrada Esperança.
Naturalmente a derrota e o empate acabaram por beliscar os planos estrategicamente concebidos que, de certeza, constava em ser campeão da primeira volta da prova. Isso, naturalmente conferiria maior alento, confiança e vontade de continuar a vencer, até porque a campanha que faz nas Afrotaças, lhe conferem um estofo competitivo e maior pedalada que as outras, embora requerendo maiores cuidados na gestão do esforço.
Neste prisma, vem à baila o Clube Desportivo da Huíla, que foi simplesmente a equipa sensação da primeira volta da prova. Ombreou com os grandes e procurou fazer a sua “confusão” nos lugares cimeiros como autêntico “intruso atrevido”, mas no bom sentido. Pois, mesmo nesta condição, conseguiu demonstrar o futebol competitivo e conquistar, inclusive, algum respeito dos contendores na prova.
Portanto, se deve entender que todo trabalho valorativo dos homens comandados por Mário Soares, teve o seu mérito. Agora, neste segundo turno, deve ser, tem de ser, o período da confirmação de toda avalanche competitiva. Terá que continuar a mostrar aos seus adversários, que o seu vector é ascendente. Embora saibamos já que, nesta segunda volta, Soares, pela vasta experiência que acumula nestas andanças, irá de certeza fazer uma gestão rigorosa e apertada do pecúlio pontual que conseguiu na volta inaugural e, debicando aqui e ali, tentará manter a estabilidade competitiva.
Por outro lado e porque algumas equipas tiveram a preocupação de se reforçarem, estarão obviamente mais fortes no ponto de vista competitivo. Desta, refiro-me ao Kabuscorp do Palanca que, segundo o seu presidente, Bento Kangamba, a sua agremiação continua firme na luta pelo ceptro. Essa declaração talvez tenha feito estranhar a concorrência, mas lá o homem saberá o que diz. Os palanquinos estão até muito bem, subindo gradualmente. Deverá apostar sim e mais na regularidade.
Do meio da tabela para baixo, a luta de certeza que será acérrima, se julgarmos que clubes como ASA, Académica do Lobito, Saurimo FC, Sporting de Cabinda, Bravos do Maquis, Interclube, Recreativo do Libolo e demais, talvez mesmo o Santa Rita de Cássia e o Cuando Cubango FC, atravessam dificuldades financeiras.
Se por um lado, a luta será dura dentro das quatro linhas, fora dela, será pior. Alvitro mesmo a hipótese da prova não terminar sem desistências pelo meio. Oxalá que eu esteja errado e aquilo que tenho projectado, não seja um cenário a se tornar realidade.
As chicotadas psicológicas marcaram igualmente a primeira volta da prova e, para além de outras, há que saudar o regresso do nacional Albano César. Dar à César o que realmente é de César. Para dizer, que o lugar deste e de outros nacionais que, infelizmente, estão no “desemprego”, é no Girabola Zap.
Por último, o recado vai naturalmente para a arbitragem, que deve evoluir na mesma proporção que a competição. Felizmente e para bem do espectáculo, durante este primeiro turno, tivemos poucos casos. Oxalá que nesta segunda volta não tenhamos nenhum. Nem tão-pouco situações menos boas nos recintos desportivos, que possam colocar em causa a integridade física dos que têm apenas o propósito de assistir bom futebol. A segunda volta arrancou (…). Vamos pois, à bola! Morais Canamua

Últimas Opinies

  • 20 de Janeiro, 2020

    Deixem a Marximina regressar

    Olhei para o tempo que já passou desde a suspensão da árbitra Marximina Bernardo, acabou penalizada pela Federação Angolana de Futebol (FAF), sobretudo porque, em minha opinião, este órgão hesita em não condescender exagerada decisão que então tomou, quando para “homens do apito” as punições quase que sabem a flores.

    Ler mais »

  • 20 de Janeiro, 2020

    Cartas dos Leitores

    O orçamento não varia muito dos anos anteriores. Podemos dizer que é ligeiramente superior a dois milhões de dólares por ano. Este é o valor que temos consagrado para o Sagrada Esperança.

    Ler mais »

  • 20 de Janeiro, 2020

    Regatas para Tquio

    Marcado por aceso despique, o Campeonato Africano de Vela nas classes 420 e 470, realizado de 13 a 18 do corrente mês na Contra-Costa da Ilha do Cabo, em Luanda, confirmou mais uma qualificação de Angola à maior montra desportiva do globo.

    Ler mais »

  • 18 de Janeiro, 2020

    Welwitschias voltam a dar o ar da sua graa

    Depois da “travessia do deserto” por que passou nos últimos tempos, obrigando a ficar inactiva, a Selecção Nacional de Futebol feminina pode testemunhar um novo ciclo no ano que dá ainda os seus primeiros passos.

    Ler mais »

  • 18 de Janeiro, 2020

    Futebol feminino busca resgate da mstica

    Já houve tempos que o futebol feminino era de facto uma festa cá entre nós, pois inflamava paixões e, de facto arrastava multidões.

    Ler mais »

Ver todas »