Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Vamos acreditar

12 de Janeiro, 2010
O país não está ainda refeito do pesadelo que viveu depois do empate consentido pelos Palancas Negras, no jogo que marcou o início do Campeonato Africano das Nações, diante do Mali. O silêncio que tomou conta das 50 mil pessoas que lotaram o estádio 11 de Novembro vai ficar gravado para sempre na memória de cada um deles.
Contudo, o jogo frente aos malianos já faz parte do passado. Muito embora o resultado nos tenha penalizado, a verdade é que nada está perdido. O jogo de domingo passado vai permitir ao técnico Manuel José tirar as devidas ilações e corrigir os erros registados, de modos a garantir uma prestação mais condizente nos dois jogos que restam nesta primeira fase. Se contra o Mali o excesso de confiança foi fatal, contra o Malawi e contra a Argélia, este excesso tem de ser bem gerido.

A partida contra o Malawi, que ontem surpreendeu a forte selecção da Argélia, a quem venceu por convincentes 3-0, naquela que é a primeira grande surpresa desta edição do CAN, é decisiva para as ambições do combinado nacional. A derrota e o empate são resultados que não interessam. Apenas a vitória mantém as esperanças da passagem à fase seguinte da prova.
A vitória, ontem, do Malawi concedeu a esta equipa uma motivação extra. Quem pensava que os malawis fossem os grandes "animadores" da série enganou-se. A vitória clara, ontem, diante da candidata Argélia, confere-lhe outro estatuto. Para já é a líder do grupo, algo impensável para muitos no início da competição. Porém, independentemente deste factor, os Palancas Negras podem perfeitamente ultrapassar este opositor. Também porque não há jogos iguais.

Apesar do empate, todos os angolanos continuam a acreditar na Selecção Nacional. Todos reconhecem que ela não soube gerir a vantagem confortável que tinha até ao minuto 80, que houve excesso de confiança, falta de concentração, muita displicência, mas ainda assim sabem que nada está perdido. Temos de estar todos juntos e dar maior carinho aos nossos jogadores, principalmente neste momento difícil. A contínua observância do espírito de unidade em torno dos Palancas Negras tem de ser o lema de todos os angolanos.

No futebol não há favoritos nem vencedores antecipados, daí que se peça aos Palancas Negras uma luta acérrima até aos 90 minutos do último jogo da primeira fase. Os jogadores têm de acreditar que nada está perdido e devem trabalhar para que consigam corrigir os erros cometidos diante do Mali. É prematuro, nesta fase, qualquer tipo de especulação que possa contribuir para um mau clima no seio da selecção. Temos de acreditar que Angola tem ainda hipóteses de atingir a segunda fase. Será difícil, é verdade, mas não impossível.
Policarpo da Rosa

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