Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Vamos voltar a ter futebol (fim)

15 de Outubro, 2018
As contas do MINJUD são contas do Estado e para acompanhar o discurso presidencial é preciso serem auditadas e publicadas, dando assim exemplo aos agentes desportivos, cujos duodécimos o próprio Estado ignora como são realmente aplicados, pois, também os clubes e Associações não cultivam a auditoria das suas contas. Longe de estar só na má prática, também o GPL, governo provincial de Luanda, jamais esclareceu em que condições foi privatizada a gestão da Piscina do Alvalade ou do Estádio dos Coqueiros, enquanto obsta, a que se faça decente aproveitamento do complexo Campos de São Paulo. Estes e aqueles outros casos, vingaram todos sob o olhar silencioso de Lenine.
Assim sendo, não é favor nenhum vir dar cavaco ao eleitor. E, enquanto o exemplo não vier de cima, como haverão os clubes de entender que por exemplo, doravante, a FIFA e a CAF exigem as contas auditadas primeiro, antes de se poderem inscrever.
A ordem, datava já de 2005, porém, a FAF fechou olhos, a CAF primeiro, e agora, Giovanni Infantino lançou a lixívia para cima e da barrela surtiu um efeito mais transparente na administração desportiva.
Resta saber, quem e como, há-de acompanhar esta gestão aberta. Acompanhar ou não a regra, eis o que muitos já vêem como o novo normal, na gestão de negócios em Angola. Quer queiram ou não, a administração público é um negócio da cidadania e como tal, deve explicações aos cidadãos que sustentam o Estado.
Mas não todo o estado de coisas. Daí, persistirem no país dois maus hábitos e que são literalmente os maiores equívocos que distorcem o serviço da função pública em Angola. O primeiro equívoco é pensar-se, que os servidores públicos, dos governantes aos atendedores de balcão, nas entidades públicas, estão numa posição acima do cidadão comum, acima do público; infelizmente, sente-se ali, a completa noção e falta de educação em relação a estar-se ali para servir, pois, que é a essência da função pública.
A segunda razão, que nos obstaculiza demais quando nos confrontamos com a nossa função pública, é não gostar de prestar contas; cada vez mais pede-se emprestado para comprar algo e acaba-se ficando como troco também, e muitos acreditam que assim, não tem mal e é já o nosso novo normal.
Mas não é, e o Presidente já disse isso. Agora, há mesmo sinais de mudança. O desporto entrou para a agenda de João Lourenço, e isso, ficou demonstrado recentemente. E acredita-se, piamente, que o facto do público ter podido testemunhar o que se passou no palácio, com o Presidente da FAF, ficou a acreditar que o Executivo está com a selecção do país, pois, foi com esta ideia que todos pudemos ficar.
E, eu acredito, que o Executivo vai ficar mesmo com a selecção e o desporto de alto rendimento, se os disparates pararem de suceder impunemente no desporto angolano, pois, desde que em campanha havia sido empurrado a embandeirar uma campanha para o desporto escolar, pouco exequível, por uns anos.
E, é só disso que os desportistas estão à espera, da atenção judiciosa do Executivo para que quem tiver pernas para andar, na alta roda desportiva, possa aspirar a esse direito. Não sem primeiro, o desporto se ir livrando daqueles, sem o suficiente berço desportivo para liderar desportos no país inteiro. A falta de algum berço desportivo faz falta à muita gente, que hoje infelizmente nem tem um histórico para tanto. E, uma parte dos que sempre foram os verdadeiros pilares humanos dos desportos em Angola, estão a falecer, a retirar-se e a desaparecer do imundo meio desportivo na actualidade.
O meio desportivo engoliu muita corja. As virtudes do desporto quase secaram; hoje, são mais – e acredito não ser exagero - os que ali andam só para poderem levar o pão para casa. Este à -parte, resulta de uma outra conversa que eu havia iniciado, sobre os antigos craques e treinadores que nem sequer na rua deles ofereceram alguma vez uma bola, ou treinaram um grupo de putos com talento para o desporto. A maioria saca e poucos dão.
O desporto, quer queiramos, quer não, é uma suma questão de cultura nacional, de desenvolvimento cultural social, e o talento sem a inteligência não fazem um desportista feliz. E completo. A nossa inversão, agora, deve começar pela correcção da mentalidade desportiva que se instalou no seio dos angolanos.
Assim, os novos rumos desportivos que se antevêem para o nosso país, voltaram a ser traçados, quando em Agosto se coincidiu com o primeiro aniversário das últimas eleições e também da nova liderança do país. Esse, é um marco político para o nosso desporto e deve ser defendido. Agosto fica, assim, como um marco de que as coisas podem realmente estar, para mudar no nosso desporto.
E, oxalá comece pelos Palancas Negras, pois, neste momento, só ambos os Sete nacionais são uma garantia de custo/benefício, na representação desportiva internacional do país, com todo o mérito para a gestão nacional do andebol, enquanto as demais modalidades parecem pouco equilibradas na relação custo -benefício.
Assim, resta a Angola curar as entorses das fileiras do basquetebol e subsidiar botijas de oxigénio ao futebol, para atender as actualmente consideradas prioridades desportivas nacionais. E, neste caso, com um CAN, daqui a menos de nove meses, e já dois jogos cruciais dos “Palancas Negras”, com a Mauritânia, parece que é daqui em diante que os cenários de contingência vão poder mudar, se para tal houver resultados estimulantes.
Eu não vou adiantar muito, nem falar mais disso, por enquanto, mas duas coisas poderão estar iminentes: a vitória da selecção abriria uma linha de crédito imaginária em relação à sua manutenção e das demais selecções, e a outra vantagem, seria a sorte dos “Palancas Negras” poderem continuar a trabalhar na Cidadela, com vista a um melhor horizonte a breve trecho. Depois de estupidamente barrados no “11 de Novembro” e mandados pastar na “Cidadela”, ao Onze nacional e ao futebol poderá sair-lhes a sorte grande.
Vamos aguardar e acreditar. É que como se diz, com toda a sabedoria popular, “não há bem que nunca acabe, nem mal que sempre dure”.
Arlindo Macedo

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