Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Vazio de ideias volta do nosso marketing!

02 de Setembro, 2019
Marketing desportivo é um negócio que gera avultadas receitas financeiras e um dos mais lucrativos do mundo. As receitas vêm de diferentes actividades, desde a venda de bilhetes, a comercialização de produtos desportivos em geral, publicidades e merchandising, transmissões televisivas, patrocínios e muitas outras.
Apesar da importância comprovada do marketing desportivo, por que essa actividade é tão pouco difundida no nosso país? Em Angola, ainda temos uma visão política e social do desporto.
As nossas principais instituições desportivas – Federações, Associações desportivas provinciais e clubes – são instituições associativas de direito privado, sem fins lucrativos, financiadas com dinheiro público.
Essas instituições, que trocam seus presidentes, líderes dos lóbis \"gordos\"que os colocam no mais alto cadeirão das referidas instituições, a cada quatro anos, participam do mercado nacional do desporto, onde também actuam instituições empresariais privadas com presença local, mas com actuação global.
Como são os casos, e a título de exemplo, as petrolíferas como a Total, ou instituições bancária como o Standard Bank. Estas instituições privadas empresariais têm o lucro como finalidade principal, e, por isso, adoptam as práticas de gestão mais eficientes, inovadoras e modernas.
Por ser uma vítima fatal dessa miopia na gestão, o marketing desportivo em Angola acaba por ser muito mal explorado. Ou seja, o nosso modelo de gestão para as instituições desportivas está ultrapassado.
Dai que as actuais estruturas de gestão desportivas nacionais, deparando-se com duas realidades diferentes, uma que a de continuar apostar num modelo de gestão envelhecido e moribundo e outra que é a de ter de conviver num mesmo espaço com um modelo de gestão virado para as melhores práticas corporativas, não conseguem absorver para dentro das suas estruturas profissionais que comprovadamente seriam uma mais-valia para a implementação e dinamização do marketing desportivo.
E exemplos não faltam, como são os casos do Ulisses de Jesus que entrou na actual direcção da FAF pela porta grande, e nem teve tempo para aquecer o banco para sair pelo mesmo edifício, só que pela porta pequena, e do Célio Mendes, que tendo know – how para agarrar com toda a garra o departamento de marketing e comunicação do Petro de Luanda, foi relegado na altura ao mero papel de um porta-voz do clube.
Dito de forma mais clara, na actual realidade desportiva onde a gestão desportiva é comprovadamente o elo mais fraco, não existe um casamento entre pessoas da mesma igreja. Angola precisa mudar a mentalidade em relação ao desporto de alto rendimento.
Porque ainda temos uma mentalidade que associa predominantemente o desporto com a política e com o lado social. Isso continua a ser um impedimento para o verdadeiro surgimento de uma indústria desportiva em Angola, onde deve ser gerido com um grande business, um grande negócio.
Um outro aspecto, que não podia deixar de passar por alto neste artigo é o facto de a relação entre o mercado (não só o marketing, mas a administração desportiva - gestão - em geral) e a academia praticamente não existe em Angola.
Angola peca no amadorismo da gestão desportiva, na qual o marketing faz parte, pois olham para as universidades como um viés muito crítico e de pouca colaboração.
Além disso, em Angola as universidade, na sua maioria continuam a olhar para o desporto, como uma vertente unicamente social, negando os aspectos económicos e comerciais que hoje gravitam a volta do desporto.
Estudar o desporto enquanto negócios, ainda é um tabu nas universidades angolanas, composta, em sua maioria, por pesquisadores e estudantes com uma visão social e de intervenção do estado no desporto como um todo.

(*)Mentor e Gestor Executivo do Fórum Marketing Desportivo
Zongo Fernando dos Santos

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