Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Vencidos com honra

14 de Julho, 2018
Inglaterra e Bélgica jogam esta tarde, em São Petersburgo, para o terceiro lugar da XXI edição do Campeonato do Mundo de futebol. Depois de as equipas terem chegado às meias-finais não era, certamente, este o desfecho que auguravam. Pode ser até uma posição honrosa, para aquilo que eram as suas estimativas iniciais, mas deixou de ser a partir da altura em que o curso das coisas permitiu sonhar mais além.
Seja como for, pensamos que não devem as equipas se sentir diminuídas por isso, porque o facto de não terem logrado passagem para a final, não pode e nem deve ser entendido como sinal de inexperiência competitiva, perante os adversários que tiveram pela frente. Longe disso. Quer uma quer outra selecção hão-de constar das estatísticas, como aquelas que souberam desbobinar futebol de melhor teor qualitativo.
Aliás, o equilíbrio verificado nos dois jogos das meias-finais, como bem indicam os resultados, falam sobre a sua grandeza de alma e espírito combativo, embora isto não tenha bastado para chegarem à final. Mesmo França e Croácia, que tiveram a primazia de lograr o passe para a final de amanhã, no Lujniki, reconhecem o quanto sofreram para chegarem a vitória.
Nos próximos quatro anos, enquanto não se abrirem as cortinas para o torneio do Catar, será quase uma obrigação falar das selecções com maior desempenho no campeonato, que amanhã termina. E Inglaterra e Bélgica farão, incontornavelmente, parte do selecto grupo das que encantaram o mundo na Rússia, com a arte e magia do seu jogo.
Aliás, os belgas, com uma prestação a todos os títulos fantástica, que permitiu chegar às meias-finais, com cinco vitórias em igual número de jogos, eram vistos desde a primeira fase, pelos mais atentos observadores, como sérios candidatos ao título, não só pela qualidade individual das suas unidades, onde se destacam nomes como Hazard, Lukaku, Witsel, Carrasco e outros, mas também pelo seu colectivismo.
Quis, porém, o capricho do sorteio que cruzassem o caminho de uma outra selecção, que também se apresentou na Rússia com um futebol de laboratório, a França, aos pés de quem viriam a soçobrar. Não foram (os belgas) inferiores, mas talvez pouco oportunos em relação ao adversário, que deve ter entrado em campo com a lição melhor estudada e mais do que isso, com maior crença.
O mesmo discurso serve para a selecção inglesa, apanhada em contra-pé por uma Croácia que, independentemente do desfecho que venha ter a final de amanhã, marca, positivamente, este campeonato pela ousadia e capacidade de luta demonstradas. A Inglaterra esteve perto daquilo que não consegue desde 1966, quando recebeu a prova nos seus domínios. Ainda assim, igualou a marca do Itália\'90, em que arrumou, nos quartos-de-final, os Camarões, num jogo bastante polémico.
Em resumo, falamos de duas selecções de se lhe tirar o chapéu, esperando que prossigam o trabalho que têm desenvolvido, porque já encurtaram a distância para o êxito. Dentro de quatro anos haverá mais Mundial, e o que não foi possível desta vez pode ser na próxima. No caso da Inglaterra, por exemplo, tem um plantel bastante jovem, que infunde confiança num amanhã bastante promissor.
Por esta ordem, espera-se por um jogo disputado até ao limite, porque se é certo que a classificação no futebol consagra um quadro de honra, onde cabem os primeiros quatro, então ingleses e belgas deixam sempre a Rússia com estatuto de vencedores. E mais: o facto do terceiro lugar ser mais valiosos em relação ao quarto, é outra particularidade capaz de emprestar maior interesse e suspense no jogo desta tarde.
Matias Adriano

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