Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Vnia a Victorino Cunha

18 de Fevereiro, 2015
Qualquer nação ou instituição têm pessoas que, pelos seus feitos, são considerados ícones de referência obrigatória, representando bons exemplos para as gerações vindouras.

Tais pessoas tornam-se, por assim dizer, vozes autorizadas na abordagem dos assuntos por via dos quais são conhecidos e, por isso, merecem toda a consideração da sociedade, que deve interpretar os seus pronunciamentos, para além de mero exercício de uso da palavra, como actos de partilha de experiência e conhecimentos, por via dos quais se podem achar os caminhos para corrigir o que estiver mal e melhorar o que estiver bom.

Não significa, portanto, que tais pessoas sejam detentoras exclusivas do conhecimento sobre determinado assunto aliás, isso não se coloca, atendendo a dinâmica evolutiva da vida que nos remete à aparição de novas teorização em torno do mesmo assunto, de tempo em tempo. Ainda assim, os referidos ícones devem ser compreendidos e respeitados à luz do enunciado segundo o qual o confronto de ideias gera desenvolvimento.

Servindo isso para todas as áreas da sociedade, focalizamos o assunto no nosso “campo de estudo” que, como se sabe, é o deporto, de um modo geral. Na referida actividade, a regra não encontra espaço para excepção, porquanto a coisa funciona da mesma forma, e ao que parece, com maior relevância, chegando ao ponto de algumas figuras serem eternizadas com atribuição de seus nomes a campos, pavilhões, anfiteatros e prémios.

A título de exemplo podemos citar Joaquim Diniz ("Brinca na Areia"), Ndunguid Daniel, Nicolas Berardinelli, cujos nomes foram atribuídos a campos de treino das equipas de futebol do Atlético Sport Aviação e Clube Desportivo 1.º de Agosto, respectivamente.

Apesar de não terem o nome adstrito a qualquer recinto desportivo, não deixam de ser referências obrigatórios nomes como Carlos Queirós, Osvaldo Saturnino de Oliveira, Jesus, Abel Campos, Nejó, Bodunha, Zico, Cacharamba, para o Atlético Petróleos de Luanda; Mendinho, Túbias, Mingo, Kinito, Raúl, Jerry, por banda do Inter Clube; Praia, Salviano, Luís Cão, Jinguma, Kiferro, pelo Progresso Associação do Sambizanga; Lourenço, Amândio, Zeca, Dongala, Napoleão, Vieira Dias, Alves, Tandu, pelo Clube Central das Forças Armadas Angolanas.

E por aí além, estas e outras pessoas são figuras incontornáveis do mosaico futebolístico nacional e merecem o aplauso e atenção colectiva, sempre que for narrada a história da modalidade. Não ficando pela modalidade-rainha, adjectivando o basquetebol como modalidade raínha, as referências passam por nomes como Necas, Boneco, Zezé Assís, José Carlos Guimarães, Jean Jacques, Lapa, Gustavo da Conceição, Paulo Macedo, Ângelo Vitoriano, Baduna, David Dias, Lutonda, Olímpio Cipriano, Kikas e outros, de um universo de jogadores que também merecem, de forma natural e pura.
Continuando a falar da bola ao cesto que é, a par do andebol feminino, a modalidade angolana mais titulada, é míster a referência obrigatória a nomes de treinadores como Mário Palma, Vladimiro Romero, Alberto de Carvalho Ginguba, Nuno Teixeira e o incontornável professor Victorino Cunha, considerado quase por unanimidade como o “artífice” da hegemonia que o basquetebol angolano detém a nível do continente berço da humanidade, com rasgos de elogios noutras partes do globo.

A voz de Victorino Cunha, seja onde e com quem estiver, desde que o assunto seja basquetebol, deve ser respeitada e ouvida com sentimento de ensinamento, desprezando qualquer intenção de vilipêndio que deve ser condenada, a todos os títulos. Ao professor Victorino Cunha, de forma especial, a minha vénia.
Carlos Calongo

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