Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Vestidos campees

01 de Setembro, 2013
Com efeito, o combinado angolano acaba por ser um digno vencedor. Foi a equipa que mais fez para merecer a coroação. É evidente que mesmo na condição de vice-campeão em título foi obrigada a experimentar um conjunto de vicissitudes. Mas soube manter a calma e a serenidade que permitiram ultrapassar os escolhos até à consagração.

O começo não foi pacífico. Com Cabo Verde, Moçambique e RCA houve sempre necessidade de se imprimir maior dinâmica para evitar o pior. Em alguns jogos muitos se viram tomados por algum pessimismo na sequência do curso das coisas na quadra, tal como foi com a RCA. Porém, Angola sempre conseguiu inverter as coisas, fazendo a balança pender a seu favor.

De qualquer modo, ficou a sensação de que a modalidade está a crescer nos outros países do continente. De resto, o “cinco” angolano, que já carrega enorme experiência, teve de comer o pão que o diabo amassou para se sagrar campeão africano. A equipa não teve as mesmas facilidades em relação às edições que lhe consagraram as conquistas anteriores.

O campeonato que ontem terminou não se compara em nada àquele que se disputou em Agosto de 2007 em Angola. Em Abidjan 2013 foi maior o nível técnico das equipas e a sua maioria apresentou-se com maior preparação, maior organização e maior ambição competitiva.

A própria selecção e os angolanos não têm nenhuma dificuldade em reconhecer que ganharam o campeonato na sequência de muita luta e determinação. Não lembra a memória campeonato em que a equipa tenha entrado de forma tão desastrada. Foi enorme a resistência oferecida por outras equipas.

Isto leva-nos à conclusão de que nos outros países está a ser desenvolvido um sério trabalho de investimento no sentido de elevar os níveis competitivos e daí se almejarem posições mais honrosas nos próximos tempos. O “papão” Angola não teve desta vez as mesmas facilidades. Mas valeu a atitude que soube assumir na fase mais decisiva.

Metódico e astuto foi o campeão africano, fazendo gestão perfeita das coisas. Jogo a jogo, vitória a vitória, consolidando desta forma a sua hegemonia, tendo a final de ontem, com o Egipto, sido decisiva. Mas uma conclusão devemos tirar do campeonato: as outras selecções estão a investir fortemente e Angola deve tomar cautelas para as próximas edições. Pois, tendo-se apresentado como a selecção mais velha, precisa de fazer um forte trabalho de investimento que leve à inovação do seu plantel. Mas, o que por agora conta é o triunfo, que nos enche a todos de orgulho.
Matias Adriano|

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