Jornal dos Desportos

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Opinio

Vitria do pragmatismo

17 de Julho, 2018
No futebol, tanto quanto na política, os resultados dependem muito do pragmatismo. Da atitude aguerrida e ambição. Não há como haver meias-palavras. Apenas a determinação, eleva-nos ao topo. Isso mesmo ficou provado, no percurso efectuado pela Selecção francesa, durante o recém-encerrado campeonato do mundo da Rússia.
Pelo menos tinha quase a certeza de que, muito dificilmente, os franceses deixariam fugir o título deste Mundial. Embora num campeonato marcado por inúmeras surpresas e onde imperou a imprevisibilidade. Mas, a forma pragmática como os pupilos de Didier Deschamps abordaram o jogo, ainda que sem construírem uma exibição de luxo, foi determinante para que o sucesso fosse alcançado.
Não admirou a atitude evidenciada pelos “Bleus”. Aliás, Pogba chegou a afirmar, em vésperas da final, que o grupo precisava encarar o jogo com a Croácia, diferente da forma como o fez diante de Portugal, na final do Europeu do ano passado. A mensagem terá sido passada para o interior do balneário e, seguramente, levada à sério por todos os jogadores.
A França entrou para o jogo determinada a impor o seu futebol e, mais do que isso, convicta de que podia provar que é muito mais experiente que o adversário, pois aprendeu muito bem com os erros do passado. É bem verdade que a Croácia caiu de pé. E a derrota em Moscovo, uma cidade que conquistou a simpatia dos “Balcãs”, funcionou como um “murro” no estômago daquela brilhante avalanche de adeptos. Fervorosa, emotiva e que viveu com intensidade a cada jogada da sua Selecção.
Foi um Mundial, cuja “quota parte” do seu sucesso deve, também, ser atribuído aos adeptos. Sem eles não haveria espectáculo. É verdade. Ajudaram a valorizar os jogos e acrescentaram interesse a cada uma das 64 partidas. Mesmo quem não teve bilhete para entrar ao estádio, juntou-se a outros em “Fan Zones”, que espalhados pelas cidades-sede do Mundial, engalanaram as ruas de “torcedores”e coloriram avenidas.
Foi um campeonato do mundo para gravar e depois rever. Uma prova que ficará, sem dúvidas, marcado para sempre na memória dos adeptos, sobretudo pela grande capacidade que teve de suscitar maior interesse e corresponder com as expectativas de todos.
Paulo Caculo| Moscovo

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