Jornal dos Desportos

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Opinio

Vitria em Bakau pode ser enganadora

07 de Setembro, 2019
Nos dias que correm, não se afigura fácil falar ou escrever sobre futebol e, mais quando se trata da selecção nacional de futebol. Tudo porque muitas questões de fundo que, infelizmente resolvidas pela metade e algumas até mal solucionadas, conferem um estado de desconfiança e pouca crença ao adepto comum, mesmo tratando-se da equipa de todos nós.
Tudo porque, nos últimos tempos, convenhamos, a gestão do futebol de selecções, em minha opinião, não tem sido bem conseguida.
Não só pelos resultados obtidos no último Campeonato Africano das Nações (CAN) que decorreu no Egipto, mas sobretudo pela forma como, depois, na esteira do fracasso, foram encaminhadas e geridas algumas questões cujo foco negativo tinha iniciado já durante o curto estágio em Portugal.
Sem ter havido as explicações que se impunham, eis já em outra frente. Em busca da qualificação à fase de grupos de apuramento ao Mundial do Qatar em 2022. Aqui, não está em causa o resultado do jogo de ontem (apesar de termos triunfado) porém, se impõe sim uma reflexão profunda para neste aparente novo ciclo de Pedro Gonçalves, o seleccionador contratado à prazo para colmatar a brecha deixada por Serdan Vassiljevic, cujo enlace foi desmanchado “amigavelmente”, consigamos então chegar à denominadores comuns e elevar o futebol ao patamar que ele deve estar.
Nesta altura, as vitórias e empates alcançados são apenas para amenizar a crise em que estamos mergulhados e, obviamente as derrotas para criar um fosso maior. Necessário se torna por isso, a direcção da Federação Angolana de Futebol (FAF) assumir o seu papel com vigor, realismo e coragem.
Primeiramente comunicando em condições e depois vir à terreiro explicar determinadas questões que todos os angolanos amantes do futebol e não só, têm o direito de saber. As fraquezas patenteadas nos últimos tempos e, obviamente as rixas acumuladas, muitas das quais entre dirigentes e atletas, com treinadores pelo meio.
Não podemos esconder a realidade da podridão com vitória ou uma eventual qualificação para a disputa da fase de grupos de qualificação ao Mundial do Qatar, quando temos que admitir os problemas mil e chamar “os bois pelos próprios nomes”.
Se por uma lado a vinda conseguida de atletas como Núrio Fortuna e Fábio Abreu e, também o lançamento de Zito Luvumbo na selecção principal, na perspectiva de se criar futuramente um grupo forte, coeso e mais competitivo, provoca maior valia, por outro, fica beliscado todo processo por não terem sido explicadas, com rigor e detalhe, a ausência de um dos capitães do combinado nacional, pelo menos no último CAN, Djalma Campos, por sinal em boa forma competitiva e sem quaisquer problemas físicos. Pareceu que tenha sido por mero capricho. De quem, gostaríamos de saber!
Assim, apesar da alegria que confere a vitória, fica sempre um sabor agridoce por debaixo da língua por não termos conseguido diluir uma questão (por exemplo essa do Djalma Campos) que, se calhar podia sê-lo feita, na base de uma amena conversa, tendo como suporte a compreensão, a humildade, frontalidade e urbanidade.
Ao contrário, as derrotas e as más prestações provocam sempre estragos, mais ainda nesta fase em que, o elenco da FAF quase que possui pouca margem para falhar, a julgar pelos erros consecutivos que proporcionam às gentes do futebol.
Todo este imbróglio somado aos resultados que vimos fazendo, configuram um estado de desorganização avançado que urge pôr fim.
Necessário se torna, criarmos, todos nós, a sustentabilidade que o futebol precisa. As críticas construtivas devem ser levadas em consideração. A vitória conseguida ontem na Gâmbia apesar de ser acalentadora e gratificante, não pode, nem deve “branquear” o estado em que se encontra a nossa selecção no que a organização diz respeito. A FAF tem obrigações, ainda assim, de vir à terreiro e trazer uma palavra explicativa para normalizar a alta maré de contestação que grassa na sociedade futebolística.
Vamos “saborear” e festejar a vitória conseguida diante da Gâmbia e augurar que a segunda mão, aqui em Luanda, seja disputada num clima bom e reconciliador, a ponto de assegurarmos a almejada qualificação. Ainda assim, que não nos iludamos porque senão, o resultado de ontem, no fundo, pode ser enganador. Tenho dito! Morais Canãmua

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