Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Vitrias exemplares de Angola

08 de Agosto, 2019
O desporto angolano vai dando passos muito significativos a nível mundial, especialmente desde os Jogos Olímpicos da Grécia em 2004, onde José Armando Sayovo, atleta para-olímpico, conquistou três medalhas de Ouro nos 100, 200 e 400 metros, na prova de atletismo. Este feito memorável marcou as primeiras conquistas de medalhas de ouro ou seja dos primeiros lugares do desporto angolano em competições internacionais, como é o caso das Olimpíadas em intervêm os melhores atletas do globo.
Algumas pessoas minimizaram o feito por ter sido numa modalidade para deficientes. Mas esta é simplesmente uma forma invejosa de ver as coisas, pois o valor de tal conquista é ainda maior por ter sido entre os melhores atletas daquela categoria. Nas centenas de anos que se disputam os Jogos Olímpicos, quantos atletas tiveram a força necessária para superar os demais concorrentes e inscreverem os seus nomes e de seus respectivos países na história desta grande competição a nível do globo?
Com grande atitude, em 2018 a Selecção Nacional de futebol adaptado venceu o Campeonato do Mundo da categoria, realizado no México, depois de em 2016 se ter posicionado na segunda posição, atrás da campeã Rússia.
Agora, no dia 4 de Agosto, do corrente ano, a equipa de andebol feminina do 1º de Agosto, inscreveu o seu nome e do país na história do Mundial de Clubes realizado na China. Esta vitoria tem um sabor especial para Angola por ter sido a primeira vez que tal prova denominada “Super Globo” é realizada, o que faz com que o clube seja motivo de referência e com isso o desporto no país dá um grande salto.
Entretanto, os três exemplos acima mencionados não são os únicos feitos de relevo do desporto angolano, pois temos tido bons desempenhos a nível Mundial em modalidades como hóquei em patins, ju-jitsu e outras não menos importantes.
Assim sendo, estes poucos exemplos de vitória, sacrifícios e determinação devem servir de fonte de inspiração para futuros sucessos dos nossos desportistas quer a nível de África, quer de outras latitudes, sobretudo para os dirigentes do futebol, que pelos vistos é a modalidade que mais gasta e daí devem seguir o exemplo destas modalidades.
O Estado angolano deve prestar bastante atenção a estas modalidades, sobretudo para incentivar a sua prática no seio das camadas jovens. Isto implica investir fortemente em tais modalidades e fazer as devidas compensações como aconteceu muito recentemente com os campeões do mundo em futebol adaptado.
Ao oferecer casas aos jogadores da Selecção Nacional pelo facto de terem ganho o Campeonato do Mundo, o Estado, em nome do povo angolano, em gesto de agradecimentos fez um reconhecimento público a estes, facto que por si só serve de incentivo para os jovens praticantes. Por isso, este gesto do Executivo não pode passar despercebido e deve ser aplaudido por todos. As senhoras do andebol do 1º de Agosto também merecem um prémio pela recém-conquista do Mundial de Clubes.
O andebol feminino há muito tem justificado o investimento a si dirigido. Por isso tudo deve ser feito de forma manter esta passada ou seja manter a modalidade em alta.
Para isso é imperioso aumentar o número de praticantes a nível do país não nos limitando a apenas dois clubes, nem que para isso se retire algumas verbas a modalidades que não justificam o que gastam. Na esteira deste pensamento, acredito ser importante também começar a pensar já na sucessão dos jogadores da Selecção de Futebol para adaptados, pois muitos deles poderão não estar disponíveis para o próximo evento por factores como a idade avançada e outros handicapes que impedem participar em actividades de alta-roda como é o caso de um Mundial. Isto implica organização o que pressupõe preparar-se com bastante antecedência, pois não se pode justificar que uma equipa que ganha um Mundial não se faça presente na edição seguinte.
Sim, a conquista de títulos mundiais não significam apenas motivos de orgulho para os atletas envolvidos e consequentemente para o país, mas também implica grande responsabilidade. Queremos acreditar que com esta vitória do 1º de Agosto e do desporto angolano, o Estado vai prestar mais do que a costumeira atenção no sentido de nos mantermos nesta senda e que os desportistas de outras modalidades sintam-se motivados para fazer o mesmo.
Por outro lado, deve-se aplaudir a direcção do clube 1º de Agosto, que tem justificado o orçamento a si atribuído por apresentar frutos como a conquista de um Mundial a nível do andebol feminino e não só. Os aplausos são extensivas a todas as jogadoras, ao corpo técnico do emblema militar e bem assim como a Federação Angola de Andebol, muito bem liderada por Pedro Godinho. Augusto Fernandes

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