Jornal dos Desportos

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Opinio

Viva o andebol e a Bandeira Nacional

19 de Janeiro, 2019
Quando na estreia, no jogo diante do Qatar, referente àprimeira jornada do Campeonato do Mundo que decorre na Alemanha e Dinamarca, o atleta angolano aproveitou da melhor forma o contra-ataque e marcou, no último minuto, o golo da vitória, perfazendo o placar em 24-23, a explosão de alegria que daí se fez notar, por parte dos atletas, técnicos e de todos angolanos que assistiram o jogo, ficou provado que, afinal o andebol masculino também é uma modalidade querida e passível de proporcionar a satisfação dos amantes do desporto no país.
Na verdade, foi um motivo ímpar. De muita emoção. Foi simplesmente a primeira vitória da nossa selecção numa fase final do campeonato do mundo da modalidade, depois de, no campeonato passado, termos ficado em último lugar. Hoje a realidade é diferente. Pelo menos o desfecho da prova será diferente.
Filipe Cruz, o seleccionador nacional, e pupilos demonstraram conhecer os caminhos para que Angola possa fazer ainda mais, quer nesta prova como em outras que virão. Quer diante do Qatar, da Hungria ou da Suécia, da Argentina, a disposição foi totalmente diferente. Boa força anímica, boa determinação e espírito de luta, enfim, só pecamos na falta de experiência.
E desse aspecto gostaria de ser propositadamente exaustivo, porque aí temos sim algumas culpas no cartório. Ficou demonstrada a falta de contactos competitivos internacionais e, também ficou evidente a fraca competição interna que possuímos. Infelizmente essa é a pecha do andebol masculino. Se tivermos que comparar com o feminino, o masculino fica imensos furos abaixo, diga-se e sublinhe-se.
Porém, é a competir que ganhamos experiência e de certeza que, Pedro Godinho e seus pares, sabem bem disso. Aliás, nota-se na evolução de Angola na prova, que ganhou forma desportiva a medida que ia disputando os jogos uns com maior grau de dificuldades que os outros e cada adversário com as suas potencialidades e referências. O estágio na Polónia trouxe alguma mais-valia aos atletas, que melhoraram processos de jogo e forma de encará-los.
Mas, tudo isso, explica-se também pelas imensas dificuldades que hoje temos, no capítulo financeiro que, por vezes, força os gestores a estabelecer prioridades. Independentemente disso, nota-se que, na classe feminina, há um trabalho mais estruturado do topo à base. Há maior entrega e interesse das praticantes, principalmente as da província de Benguela que tem sido, basicamente, o viveiro.
Duma outra forma, as vitórias incentivam. Dito de outra forma: o facto de Angola ganhar sempre, estimula que surjam praticantes sempre e aprendam a arte de jogar, ávidas de conquistar o estrelato, quando entraram na competição a sério. Assim tem sido e, notamos de facto que, a idiossincrasia das angolanas tenham como sina a de se perpectuar no topo do andebol africano, no que aos femininos diz respeito, quer em clubes como em selecções.
Daí que, em face das prestações bastantes conseguidas da selecção angolana neste campeonato do mundo organizado pela Alemanha e Dinamarca, haja depois um retorno positivo. Ou seja, haja um efeito multiplicador a ponto de mobilizar jovens à prática deste desporto, que traz honra e orgulho para todos nós.
Neste tipo de competição, para nós, basicamente o mais importante é estar presente. Competir com os grandes. Com os melhores. Só isso já é sermos vencedores. Mas, claro que depois vem o ego, as apetências, a vontade de demonstrar também o que valemos e aí, tentamos competir com garbosidade e valentia.
Pouco interessa os resultados, que viremos alcançar com os outros adversários na fase de consolação. Se vencermos mais algum jogo será “ouro sobre azul” como diz-se na gíria, mas se não vencermos e perdermos, o importante é lutar para não perdermos por margens abismais, como aconteceu na edição passada. Giovani Muachissengue e seus colegas saberão de cor e salteado o quão isso é importante, quer para o seu ego enquanto atletas, como para o angolano comum, que se orgulha já pelo facto de a nossa bonita bandeira estar nos mastros de Copenhaga. É caso, mais do que suficiente para dizer: Viva o andebol (…). Tenho dito!
Morais Canâmua

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