Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Voltamos estaca zero

04 de Abril, 2016
Há cerca de duas décadas e meia, o autor deste escrito leva de estrada desta coisa de fazer jornalismo desportivo, já os agentes da modalidade rainha perspectivavam as “reformas para o futebol nacional”.

Essa frase que se converteu em lugar - comum nos meandros do futebol nacional, principalmente depois de mais um fracasso da selecção principal em compromissos internacionais, como o que aconteceu recentemente na fase de apuramento à fase fina que ainda decorre do CAN que no próximo ano terá lugar no Gabão, está uma vez mais na “boca do povo”.

A reformulação de qualquer coisa, no caso do futebol, não deve ser abordada de ânimo leve. Não é de agora que o mal que enferma o futebol nacional, consubstancia-se numa questão estrutural.

Em minha opinião, os elencos que têm dirigido os destinos do futebol nacional assim como algumas estruturas do Ministério da Juventude e Desportos (MINJUD), este na qualidade de órgão regulador da política desportiva do Governo, têm falhado ao programarem de forma consecutiva o desenvolvimento da modalidade, assente em ciclos e metas a serem atingidos pelas selecções nacionais, fundamentalmente pela “A”.

Na verdade, está mais do que provado que os objectivos a serem alcançados pelas selecções nacionais devem ser inseridos no Plano Global de Reformulação do Futebol Nacional.

Ainda que no ano corrente, a Federação Angolana de Futebol (FAF) seja submetida ao crivo eleitoral no âmbito do ciclo olímpico de quatro anos, não se sabe se Pedro Neto e equipa vão continuar à frente da modalidade, o Plano de Reformulação do Futebol Nacional deve assentar fundamentalmente, nos escalões de formação.

É neste sector que nos tempos mais recentes começou a ganhar mais visibilidade, sobretudo em Luanda, com a criação de escolas ligadas aos clubes e não só, e academias devidamente estruturadas onde devem ser canalizadas as condições de trabalho adequadas, como a disponibilidade de técnicos e pessoal de apoio, cientifica e tecnicamente formados para trabalhar com crianças e jovens.

A elaboração de um modelo de jogo e estratégias para o futebol nacional, que deve começar nos escalões de formação e terminar nos seniores, facto que não deve estar dissociado da maioria dos dirigentes federativos e governamentais, que devem ser detentores de conhecimentos para tal, é outra componente que não pode ser descurada.

É de concordar que por mais que se aborde a reformulação do futebol dos Palancas Negras, sem se criarem as condições para a melhoria da qualidade do futebol nacional, os cidadãos angolanos que pagam imposto vão continuar a deparar-se com situações em que o Governo vai continuar a gastar somas avultadas de dinheiro, com a preparação das selecções, estágios, pagamentos de salários aos técnicos e prémios de jogo aos atletas, entre outros.

Em face do que acima está exposto, em minha opinião, a Selecção Nacional debate-se com a falta de pontas de lança de raiz, o que se consubstancia no seu sistema de jogo.

Devido ao facto de não se ter dado continuidade ao trabalho efectuado no “consulado” de Oliveira Gonçalves, que depois de ter iniciado um trabalho com a selecção de sub-15 culminou com a presença de Angola no Mundial e CAN-2006 na Alemanha e Egipto, respectivamente, depois da conquista do “Ouro em 2001 com os sub-20 na Etiópia e participação do Mundial do mesmo ano na Argentina, apresenta falhas de vária ordem.

As principais equipas do Girabola possuem pontas de lança estrangeiros. Os que são chamados, Yano (Progresso) tem estado acometido de lesões e Moco (Interclube) e nem sempre dão conta do recado. Love (S. Esperança), 36 anos de idade, foi alternativa na dupla jornada contra a R D Congo.

O reajuste da calendarização do Girabola às competições africanas homólogas, o aumento da quantidade de jogos por época, actualmente cifradas em 30-31, bem como a qualidade e o perfil dos técnicos, assim como atletas serem convocados, devem ser levados em conta.

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