Jornal dos Desportos

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Opinio

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22 de Setembro, 2017
Pela segunda vez consecutiva o cinco nacional de basquetebol masculino voltou mãos abanadas. A esperança de reconquistar o título nacional e blindar a hegemonia em África caiu nos quartos-de-final perante o Senegal, o mesmo adversário que em 1997 decidiu interromper o ciclo vitorioso que Angola trazia.
Foi precisamente em Dakar, sob comando técnico de Wladimiro Romero e com Miguel Lutonda no banco de suplentes a espera de vestir pela primeira vez a camisola nacional.
Vinte e anos depois o mesmo Senegal tratou de mandar a equipa nacional para casa, de mãos vazias. A derrota ou o fracasso suscitou como era expectável todas as reacções, elegendo-se o treinador como o principal arquitecto da “desgraça”.
Para mim, a questão do treinador é acessória. Ou seja, não é o centro do problema que o país do basquetebol atravessa. A minha reflexão, e de alguns colegas como os quais troquei impressões, encaminha-se para o problema da descaracterização da filosofia do basquetebol nacional, por conta de contratação de treinadores de várias nacionalidades, e que procuram cada um inculcar nos jogadores à sua maneira de ver o basquetebol.
A par disso, esses treinadores são contratados para projectos imediato, perdendo com isso o basquetebol nacional, que deixa de ter uma identidade.
Esse é quanto a mim o centro do problema que enfrentamos hoje. As últimas exibições da equipa nacional são “estranhas”ao basquetebol que nos habituamos. No torneio, ou no jogo diante do Senegal houve alguns sinais do nosso basquetebol, e quando assim foi o adversário sentiu dificuldades. Mas depois retomamos o descaracterizado basquetebol, que facilitou a vida do Senegal. Posto isso, é altura de uma reflexão profunda, seja lá quem for o presidente da Federação Angolana de Basquetebol. Quando se pede um exercício dessa dimensão é irrelevante quem seja o homem que dirige a modalidade, porque se trata de uma reflexão estruturante, que pode ser animada pelos clubes ou mesmo a imprensa especializada.
Qual é a raiz do problema do basquetebol nacional, em particular da equipa nacional? ´É a questão que se faz necessária responder. Reitero, a minha inclinação está em primeira instância na identidade do nosso basquetebol. Os clubes precisam ajudar o País nessa matéria, ir buscar treinadores próximos da nossa filosofia. Lazare Adingono, por exemplo, encaixa-se naquilo que nos caracteriza, o que explica a qualidade de basquetebol do Petro de Luanda, para mim o mais bonito do Campeonato Nacional. Aliás é o basquetebol a que estamos habituados a praticar. A vinda de treinadores portugueses e espanhóis têm sido nefastos para o nosso basquetebol. Não se trata de xenofobia, como facilmente se compreende. Trata-se de não se enquadrarem no perfil de treinadores para o nosso basquetebol.
Os treinadores americanos, em particular os da NCCA (campeonatos universitários), encaixam-se, assim como daqueles países do bloco do Leste. Essas duas escolas têm treinadores ideais, aliás a filosofia do nosso basquetebol nasce da fusão dessas equipas. O treinador Victorino Cunha está fartamente de explicar isso. Tive oportunidade de entrevistá-lo mais de uma vez, e sempre o disse.
Com esse exercício, ou seja, contratar treinadores que sejam próximos da nossa filosofia, ganhamos tudo o resto. Como seja jogadores capazes de um jogo exterior acima dos 65 ou 70 por cento, e outros detalhes que nos faltaram nessa partida.
Se acharmos que o caminho é longo e incompatível com a urgência de termos de reconquistar o título africano, lancemos então a mão ao treinador do Petro de Luanda Lazare Adingono. Que devia ser contratado para mais do que dois campeonatos. Acredito que com ele, com os recursos disponíveis, voltamos a sentir o orgulho de sermos os melhores. Esse é para mim o remédio para a doença que se quer crónica.
Teixeira Cândido

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