Jornal dos Desportos

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Opinio

Welwitschias voltam a dar o ar da sua graa

18 de Janeiro, 2020
Já lá se vão vários anos, que os prosélitos do desporto-rei tinham a oportunidade de ver Angola a competir em provas femininas com alguma regularidade. A título de exemplo, pode citar-se aqui o caso da participação nos Jogos da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) que o país albergou.
A classificação na quarta posição desse torneio regional, acabou por compensar a entrega das jogadoras angolanas, mas ninguém esperava que depois deste feito o combinado nacional fosse enfrentar um significativo “jejum competitivo”.
Nunca é demais também recordar que em 2019, planejava-se que as Weliwitschias participassem na Taça do Conselho das Associações de Futebol da África Austral, designada COSAFA, em que deveriam regressar 11 anos depois, mas sem saber-se das verdadeiras razões, acabou por não competir, somando daí o referenciado período de “jejum competitivo”. Do mesmo modo, as angolanas não se fizeram presentes nas eliminatórias para o Campeonato Africano das Nações (CAN) e daí não tiveram chance de discutir o passe para o Mundial do ano transacto, que teve como palco a França, e que consagrou a selecção dos Estados Unidos da América (EUA) como campeã.
Apesar disso, a Selecção Nacional de futebol feminina tem já um compromisso marcado para o presente ano. As Welwitschias medem forças com a selecção do Congo, em Abril próximo, num duelo referente à preliminar da fase de apuramento ao CAN.
Nota de realce, também, para a Selecção Nacional Sub-20 de futebol feminina que tem já um compromisso marcado para mês em curso, já que tal como a equipa de honras vai defrontar a congénere congolesa, no reduto desta, neste fim-de-semana, para a primeira mão da preliminar de apuramento para a fase final do Mundial deste ano na Nigéria.
Voltando a transcorrer no leito daquilo que tem sido o percurso da Selecção de Futebol feminina de honras, cuja marcha nas provas continentais iniciou em 2006, na Zâmbia, onde as Welwitschias não passaram da fase de grupos. Já em 2008, na prova que decorreu em Malanje, obteve um honroso segundo lugar, após perder na final com a África do Sul, por 1-3. No entanto, o início da década de 90 está registado como princípio da prática do futebol onze feminino semi-profissional em Angola, pós Independência. Há o registo de um jogo histórico organizado pela Federação Angolana de Futebol (FAF), no âmbito do dia das comemorações deste organismo, em que participaram atletas praticantes de futebol salão e do andebol. Em 1992, houve um segundo jogo demonstrativo, que foi realizado na província de Benguela para as comemorações do 11 de Novembro de 1975, dia da Independência Nacional.
Um ano depois, em 1993, convocou-se pela primeira vez a Selecção Nacional, com atletas provenientes da prática das modalidades de salão e andebol, para disputar as eliminatórias do Campeonato do Mundo de Futebol Feminino em 1995. A Selecção de Angola, sob orientação técnica do falecido treinador Chico Ventura e do adjunto Filipe Mascarenhas, foi afastada logo primeira eliminatória pela África do Sul, com uma derrota de 3-1, no reduto desta e depois um empate a três bolas em casa.
Outra nota de realce vai para o campeonato nacional experimental, que se realizou no Lubango, província da Huíla, em 1999, com a participação de seis equipas (três de Luanda e três locais), tendo se consagrado como campeã a turma dos Blocos FC.
De resto, o futebol feminino angolano viu despontar ao longo destes anos nomes como os de Sónia, Jú, Vitó, Caró, Tânia, Irene Gonçalves, Veró, China, Dickison, Kapa, Silas, Bela, Sissi, Bety, Guigui, Fofaná, Arlete, Luísa, Angelina e outras. Por isso, espera-se que imperem ventos de bonança no seu seio para que outros talentos emerjam.

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