Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

espera da liga

18 de Junho, 2017
Um figurino que caracteriza o futebol dos anos setenta e finais de oitenta. Estamos fartos de ouvir dizer que o futebol é hoje uma indústria, com muitos milhões pelo meio, mas só o é no contexto em que é tido como profissional. Por cá ano após ano, continuamos a fazer do Girabola uma prova híbrida. Ou seja, pelos milhões que nele circula é profissional, mas a gestão é amadora.

O maior obstáculo dizia-se era a legislação. Mas esta evoluiu, institucionalizou o profissionalismo mas os homens que têm de colocar o carro a funcionar, fingem quase todos que não possuem carta de condução. Muito se falou das iniciativas encabeçadas pelo\"eterno\" presidente do Interclube, Alves Simões, mas o certo é que disso nunca se saiu.

Pedro Neto, anterior presidente da Federaçåo Angolana de Futebol jurou institucionalizar a liga, quando lá chegasse. Chegou, viu e esqueceu a promessa. Artur Almeida também fez o mesmo juramento, embora seja cedo para prestação de contas, não porém surpresa alguma se acabasse o mandato, desmontasse o palco e saísse pelas portas do fundo sem nada fazer sobre essa promessa. Aliás, não duvidamos mesmo que faça como os outros.

As circunstâncias no entanto impõem o quanto antes a transformação do Girabola. Que comece com dez ou doze equipas, pouco importa. É necessário correr, andar à velocidade dos tempos. Não se pode vezes sem conta mandar o assunto para debaixo do tapete.

A imprensa especializada devia segurar o assunto com muita força a bem de jogadores e suas famílias, que dependem dessa actividade. Ver jogadores que perderam o seu tempo todo ao serviço do futebol acabarem nas ruas do Mártires do Kifangondo ou na Mabor como kinguilas é uma agressão à dignidade da pessoa humana.

É preciso dar um passo e não ficarmos apenas pelas boas intenções, pois destas anda cheio o inferno, como é comum ouvir-se dizer. A expectativa de que desta vez a liga pode ser uma realidade em Angola está agora nas mãos do elenco dirigido por Artur Almeida e Silva, cujo mandato não tarda vai consumir o primeiro dos quatro anos.

As críticas que ano após ano se fazem ao actual figurino do nosso principal campeonato, permitem-nos aferir que se afigura cada vez mais premente, a necessidade de se avançar com uma liga modelo hoje quase universalmente seguido por quem gere o futebol, a modalidade raínha de todos os desportos.

Últimas Opinies

  • 22 de Agosto, 2019

    O divrcio anunciado

    Não faz ainda muito tempo do anúncio do divórcio, entre o órgão reitor do futebol nacional e o então seleccionador nacional de honras, o sérvio Srdjan Vasiljevic, que ontem deixou o país.

    Ler mais »

  • 22 de Agosto, 2019

    Corrigir o mal no futebol (I)

    A semana passada terminei o artigo com a seguinte sentença: “(…) é importante mudar de estratégia

    Ler mais »

  • 22 de Agosto, 2019

    Mais um falso arranque do Interclube

    Para o desalento dos prosélitos do futebol sénior masculino, as cortinas do Girabola Zap, versão 2019/20, foram descerradas com máculas na jornada inaugural que, mais uma vez, põem em causa a capacidade organizativa da Federação Angolana de Futebol (FAF), que parece apostada numa competição em que é premiada a instituição que mais erros comete ao longo do “consulado”.

    Ler mais »

  • 19 de Agosto, 2019

    O pas dos amigalhaos

    Foi recentemente anunciada a rescisão contratual do treinador Srdjan Vasilevic com a Federação Angolana de Futebol.

    Ler mais »

  • 19 de Agosto, 2019

    Como causar impacto atravs do marketing?

    De facto, para que se crie um impacto forte e eficaz através do marketing desportivo, é indispensável que os clubes e federações deem atenção ao formato comunicativo a ser utilizado.

    Ler mais »

Ver todas »