Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

vergonhoso...

08 de Dezembro, 2017
Vai para uma distância que leva da terra ao céu entre a expectativa alimentada sobre a serventia que teriam as infra-estruturas construídas para receber o Campeonato Africano das Nações- CAN\'2010 e aquilo que configura a realidade actual. Espanta saber que a incúria dos homens tenha permitido que os estádios de futebol sejam hoje aquilo que são: verdadeiros matagais.
Não se soube tirar proveito que dele se podia. Ao lugar de servirem acções de fomento do futebol jovem tornaram-se em reservas florestais, onde qualquer caçador pode investir o seu know how. Em síntese, minimizou-se o forte capital aplicado pelo Estado na construção destes empreendimentos.
Como se fosse uma praga, a situação do Estádio da Tundavala, na Huila, se compara a do Chiazi, em Cabinda e a do Ombaka em Benguela, sendo que apenas o 11 de Novembro, em Luanda, constitui excepção, talvez porque com a Cidadela quase mergulhada em desuso, passou para a nova \'catedral\" do futebol angolano, casa não só dos Palancas Negras, mas também do Petro e do 1º de Agosto.
Em resumo, não fosse isto provavelmente também estivesse entregue à mesma sorte. Tão logo terminou o CAN\'2010 vozes houve que saíram em defesa da realização de um concurso público que apurasse uma empresa que seria responsável pela gestão dos estádios, condição que salvaguardaria, logicamente, a sua manutenção. Estas vozes porém não foram ouvidas. Clamaram apenas no deserto.
Realmente, a situação nos remete a reflectir sobre a seriedade do homem angolano. Afinal o que se passa com os estádios de futebol passa-se com os pavilhões Multiusos construídos para o Afrobasket que o país acolheu em 2007, transformados em armazéns para quinquilharias de toda a sorte.
Ocorre perguntar se algum outro país africano se daria ao luxo de ter o mesmo procedimento. É que a situação para além de reflectir falta de políticas de massificação e desenvolvimento desportivo é também uma tremenda desvalorização de dinheiros públicos investidos nestas empreitadas.
O que tem acontecido até aqui são denúncias sobre o estado em que os recintos desportivos estão, e reportagens jornalísticas já foram feitas, quanto mais não seja uma forma de pôr as coisas \"preto no branco\". Ainda assim, ninguém chegou a ser responsabilizado.
Estamos perante um caso que não deve ser ignorado, porque representa um crime punível na Lei, a não que queiramos continuar a fazer vista grossa à situações que lesam os interesses nacionais. A família desportiva não percebe o que se passa de concreto e revela a sua indignação.
Decididamente não pode ser assim. A sociedade estava na expectativa de que havia de sair a ganhar muito com a criação destas infra-estruturas, porque sempre condicionou-se a evolução das diferentes modalidades com a criação de recintos de praticabilidade. Mas, em vão...

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