Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A crise do Desportivo

23 de Abril, 2014
O futebol, como jogo de massas, tem os seus encantos, desencantos e os seus mistérios. Jogado ao mais alto nível, dá alegrias mas também gera frustrações, facto que o torna um desporto bastante imprevisível.

Os clubes de futebol estão todos sujeitos a crises. Periódicas ou não, estas reflectem-se, sempre, na perda da força competitiva do seu futebol com os resultados negativos a baterem as suas portas.

Por cá, por exemplo, é difícil adivinhar o que se passa com o Desportivo da Huíla. Apelidada de equipa sensação na época passada, com um futebol vistoso e com força para tombar gigantes, chegando, inclusive, através da Taça de Angola a marcar presença pela primeira vez na sua história na segunda competição de clubes da Confederação Africana de Futebol, a equipa huilana vive, nos dias que correm, uma grande crise de resultados e bastante distante do futebol bonito com que brindou os adeptos recentemente.

Uma situação que não agrada nem aos adeptos do clube nem aos seus dirigentes. A sensação do campeonato de ontem, hoje é tão-simplesmente o lanterna vermelha do Girabola, o que, de facto, não é nada agradável para uma agremiação que até bem pouco tempo teve voos altos, silenciou estádios e tirou a alegria a muitas equipas. A direcção do clube esboça tentativas para sanar a crise mas o certo é que estas mesmas crises têm o condão de tornar o futuro incerto, daí que fazer futurologia em relação ao que será este Desportivo, é um exercício difícil.

O treinador Mário Soares acaba de receber o voto de confiança dos mais altos dirigentes. Só que a experiência diz-nos que em tempo de crise há que ficar alerta com a atribuição do voto de confiança a este ou aquele treinador porque, quase sempre, são seguidas de chicotadas psicológicas.

O Desportivo não é um clube grande, mas se já mostrou que teve equipa para se manter acima do meio da tabela num passado bastante recente, é lícito que se espere por uma melhor prestação do seu conjunto e, consequentemente, por resultados mais positivos.

A crise faz mossa, e ainda que faltem muitas jornadas para o fim do campeonato, a equipa terá de superar-se a si mesma, primeiro que tudo, porque estes abalos criam, também, instabilidade psicológica, com os níveis de confiança a não serem os desejáveis.

Um passo que os huilanos deram para contornar o momento mau que a equipa vive foi mudar de estádio, do 11 de Novembro, do Benfica do Lubango, para o recinto da Tundavala, de maiores dimensões. Resta saber se a questão residia, também, no campo dos encarnados, até porque a derrota que o Desportivo da Huíla sofreu diante do campeão Kabuscorp foi exactamente no Estádio da Tundavala.

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