Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A crise dos sambilas

23 de Novembro, 2019
Uma onda de mau clima instalou-se no seio do clube do Progresso Associação do Sambizanga (PAS), por conta do atraso de salários dos trabalhadores administrativos, que não vêem um tostão pintado a nada mais, nada menos, do que 30 meses.
Em consequência dessa situação, os quadros administrativos do emblema sambila decidiram paralisar a sua actividade e apontam o dedo indicador ao presidente do clube, por alegadamente não honrar com as promessas feitas em Janeiro último.
De acordo com o que apurou o nosso jornal, Paixão Júnior prometera, na aludida ocasião, o pagamento de dois salários, dos 18 meses em atraso, tendo o plano, no entanto, fracassado, pois já se contabilizam dois anos e seis meses que os quadros sambilas não recebem salários. Além da promessa do pagamento de dois meses, o líder dos sambilas se comprometera ainda, em Janeiro deste ano, que os restantes pagar-se-iam faseadamente. Por essa razão, trabalhadoras e direcção do clube estão de costas viradas.
O Jornal dos Desportos apurou, ainda, que o montante em dívida para com os quadros administrativos, avaliado em mais de 350 milhões de kwanzas, levou a que estes intentassem uma acção judicial contra a direcção do clube, que corre os trâmites legais.
E mais ainda: os lesados alegam que o processo só não chegou ao tribunal pelas ameaças de que têm sido alvo por parte direcção. O mais grave ainda no meio disso é que mesmo estando em falta, para com os seus funcionários, a direcção do clube encabeçado por Paixão Júnior, ao invés de convocar os lesados dentro das normas legais, passou a fazê-lo sob coacção, o que os deixa ainda mais enfurecidos.
E como se já não bastasse a situação por que passam os trabalhadores, a direcção do clube ainda furta-se a prestar esclarecimentos sobre os mini-autocarros que a operadora rodoviária Ango-Real assegurou para colmatar parte dos problemas financeiros com que o emblema sambila se depara. Aí abre-se um outro precedente.
O que é caricato, segundo fontes contactadas pelo nosso jornal, os referidos autocarros foram vistos a circular, alegadamente sem as respectivas licenças para o serviço de aluguer. Por tudo isso, o clube vê-se na contingência de encontrar uma solução oportuna para essa situação, pois de contrário pode sentir também a mão pesada da justiça e de quem de direito, já que os seus funcionários apresentam uma reivindicação justa, pois, como é óbvio, têm famílias para sustentar e numa altura em que o quadro financeiro do país é menos bom, não têm como atenuar o problema que enfrentam.
Nesse seguimento, o clube deve encontrar as melhores vias para a solução do problema, chegando a um consenso com os lesados, mas sem que para tal os seus dirigentes hajam com atitudes tiranas. Até porque o desporto, tal como outros sectores, não se compadece com actuação de líderes tiranos. Deve-se buscar um meio-termo para o consenso. E aqui vai um abaixo para os dirigentes tiranos e, no caso em apreço, que haja sim, justiça…

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