Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A crise e as seleces

06 de Junho, 2017
A contenção financeira imposta pelo Ministério da Juventude e Desportos às Federações nacionais como resultado da crise financeira que assola o país desde 2014, está a afectar o desempenho das referidas instituições, com as repercussões a atingirem em última instância as selecções nacionais.

Com os cortes orçamentais e a consequente demora na alocação das verbas pelo Minjud, as Federações têm imensas dificuldades de criar condições de trabalho indispensáveis a um desempenho à altura das selecções, que têm pela frente diversos compromissos internacionais, como campeonatos africanos, campeonatos do mundo, competições regionais, entre outras não menos importantes.

Habituadas a receber do Estado quase todo o aporte financeiro para levarem a cabo os seus programas de gestão, as Federações vivem imensas dificuldades para contornar a realidade por que passam com o anúncio há dois anos pelo então ministro de tutela, Gonçalves Muandumba, de que os gestores das Associações desportivas deviam equacionar outras formas de financiamento, para equilibrarem os seus orçamentos.

Quase todos os anos é a mesma coisa: as Federações choram por dinheiro do Estado para satisfazerem as necessidades das selecções nacionais.
Algumas, sem outras fontes de receitas provenientes do patrocínio de empresas, acabam por desistir da presença do país nos grandes palcos da alta competição, quer africana, quer mundial.

A preparação das selecções nacionais estão a ser um \"Calcanhar d\' Aquiles\", com particular realce para as do futebol. A de Sub-17 teve um desempenho desastroso, um pouco consequência da falta de condições durante o período de trabalho antes de participar no CAN da categoria, que se disputou no Gabão. Mais sorte, contudo sem fugir muito às dificuldades, tiveram a selecção de Sub-20, que participa no Torneio de Toulon, e a de honras que prepara o primeiro jogo das eliminatórias de acesso ao CAN de 2019, nos Camarões.

No basquetebol e no andebol, os dirigentes também reclamam de falta de verbas, para projectarem melhor a presença das selecções nas diversas provas. Antes, já tinha acontecido com o hóquei em patins, situação que levou o seleccionador Fernando Falé a ameaçar colocar o lugar à disposição, se as coisas não melhorassem.

Em face das dificuldades do Estado prover verbas suficientes para a gestão das Federações, é que se apela aos gestores do desporto a darem azo à imagem, para criarem formas de atenuar os efeitos que a crise provoca na sua actividade.É também importante, que as pessoas que estão à frente das Associações desportivas, adoptem gestão mais rigorosa e transparente, façam cortes ali onde for necessário para evitar turbulências, e sobretudo, prejuízo para as selecções nacionais.

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