Jornal dos Desportos

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Opinio

A crise e o novo tcnico

17 de Novembro, 2017
A crise das divisas, do dólar em particular, tem imposto aos clubes e às federações restrições na contratação de jogadores e treinadores estrangeiros. Muitos jogadores abandonaram o País, aceitando salários e competições menos expressivas do que receber os kwanzas, cuja circulação restringe-se aos espaço territorial de 1.246. 700 Km2.
Tem sido por isso avisado, aos clubes e às federações, centralizar as atenções para o mercado nacional, encontrando jogadores e treinadores à altura dos seus interesses. Contra todas as expectativas, porém, a Federação Angolana de Basquetebol foi ao mercado americano buscar um treinador para o \"cinco\" nacional.
E na ausência de uma informação acabada dos gestores do basquetebol nacional, uma procissão de perguntas se coloca. As primeiras das quais, onde e como a FAB irá pagar o actual seleccionador?
Como segurar o treinador americano por três anos, conforme pretensão da FAB, expressa no contrato. Não é expectável que o seleccionador americano aceite receber ordenados em kwanzas. Ou terá a FAB um canal a partir do qual irá ter sempre divisas para honrar o compromisso?
O maior receio dos adeptos da modalidade é assistirem o “síndrome Renard”. Ou seja, ver o treinador americano a abandonar o projecto por incumprimento contratual, o que seria mais um vexame para o desporto nacional, e pior do que isso, constituir-se num factor inibidor para outros treinadores e jogadores estrangeiros.
É uma realidade que o desporto nacional acostumou-se a assistir à distância. Ler e ouvir da imprensa estrangeira, com nomes de outros países como a Nigéria, Congo Democrático e Camarões, só para citar estes, como exemplos desta prática.
O desporto nacional sempre tutelou de maneira angelical a sua imagem, evitando crises dessa natureza. Ver um treinador (estrangeiro) a abandonar a selecção de futebol ou de basquetebol nunca tinha acontecido, até o treinador francês dar o pontapé de saída.
Do exposto, resulta que a Federação Angolana de Basquetebol tem a obrigação de evitar essa imagem, a de o treinador bater com a porta por falta de salários ou outras obrigações contratuais, o que seria manchar o desporto nacional.
Esquivando quaisquer riscos desnecessários numa altura em que a Selecção Nacional não tem grandes objectivos, a federação bem poderia encontrar na praça nacional um treinador à altura de qualificar o \"cinco\" nacional para o Mundial.
Mas estando selado o contrato, agora é esperar que a federação, representado na pessoa de Hélder Cruz, cumpra a sua parte, proporcionando também as melhores condições de trabalho para que William Voigt e sua equipa possam desenvolver o seu trabalho sem grandes constrangimentos.

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