Jornal dos Desportos

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Opinio

A degradao dos estdios

05 de Julho, 2017
O País ganhou em 2010 quatro estádios construídos de raiz para acolher a Taça das Nações Africanas de Futebol, CAN. Quatro cidades tiveram esse privilégio. Foi um orçamento próximo dos quinhentos milhões de dólares, com o de Luanda, o maior de todos, a engolir cerca de duzentos e sessenta milhões de dólares. Os outros ficaram na casa dos 60 milhões.

Porém, esse investimento foi há sete anos e pode ir parar no balde do lixo, se o Estado continuar a assistir de braços cruzados à degradação dos referidos estádios. Os que mais problemas enfrentam nessa altura são os da Tundavala, Lubango e o Chiaze, em Cabinda. O primeiro sinal de degradação está na relva que foi substituída pelo capim.

Segundo as infra-estruturas muitas das quais já não funcionam em pleno, como os quartos de banho, os elevadores assim como as paredes que vão apresentando já fissuras. A recomendação depois que foram construídos os estádios era a privatização da sua gestão, assim como acontece em qualquer parte do mundo.

A gestão de um estádio da dimensão do Chiaze, Ombaka ou mesmo Tundavala nunca fica abaixo de cinco milhões de dólares, segundo dizem os especialistas. Numa altura de aperto, o recomendável era entregar para a gestão privada, capaz de arrecadar algum, acrescido ao que se recebe do Estado, até que esses se autonomizassem.

É uma situação que reclama por uma decisão urgente, sob pena de vermos perder-se um investimento de milhões de dólares, e que pode prejudicar gravemente o futebol nacional. Já houve um concurso público no consulado de Gonçalves Muandumba, para a gestão dos estádios. Dias depois o mesmo terá sido invalidado.

Passados três anos, o certo é que não se sabe até hoje o que terá acontecido para o Estado cruzar os braços, vendo os estádios a degradaram-se dias após dias. Não nos espantemos se dentro de alguns anos o Estado desembolsar mais alguns milhões para reabilitar esses estádios.

Hoje por hoje, os estádios não são apenas recintos para acolher partidas de futebol. Podem e são aproveitados para outras actividades de entretenimento/salões, podem ser ocupados os espaços laterais para escritórios, ginásios, de belezas ou outras actividades, que permitam aos gestões arrecadar alguma receitas. Os espectáculos musicais ou outros também podem e devem realizados nesses mesmos lugares. Não precisamos de ir muito longe para copiarmos.

O Estádio dos Coqueiros, na baixa de Luanda, está a ser gerido por uma empresa privada, e ao que se sabe, há problemas que assistimos nos recintos construídos para o CAN de 2010. É uma decisão que não poder ser guardada para amanhã. Há um silêncio do Ministério da Juventude e Desportos quanto ao problema que os estádios atravessam. É necessário agir, e seria bom que a imprensa fizesse \"caixa-alta\" desse assunto. Não se pode ir abaixo um investimento caro ao País.

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