Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A FAF e o Artur

24 de Fevereiro, 2020
O presidente da Federação Angolana de Futebol, Artur de Almeida, já manifestou publicamente o desejo de voltar a concorrer à sua própria sucessão. A decisão colheu convergências e divergências. Claro que em tudo há sempre os prós e os contra. Daí que nada espanta, que a reacção do país futebolístico tenha sido aquela. Doutro modo não seria, decididamente.
Os contras alegam não terem notado evolução no futebol ao longo do seu consulado. Pois, muitos dos projectos que constaram do seu programa eleitoral não conheceram implementação. Os prós acham que é normal que se dê mais uma oportunidade ao homem. Pois, pode ser que aquilo que não foi capaz de fazer no primeiro mandato o faça no segundo.
Na verdade, Artur de Almeida tem muitos detractores, que o querem ver o mais longe possível da Federação Angolana de Futebol. Nota-se em tudo isso algum exercesso das pessoas. Pois, apesar de algumas falhas, que só quem não trabalha está livre de comete-las, o futebol não perdeu o norte. E nem tudo tem sido um mar de desgraças.
Feito um levantamento daquilo que se conseguiu no seu mandato, pôde-se concluir que houve algumas conquistas. Participação da Selecção A em uma edição do CHAN, e em uma edição do CAN, participação em uma edição do CAN de Sub’17 e em um campeonato do mundo a nível deste mesmo escalão, não podem deixar de contar na sua pontuação.
É evidente que em termos de resultados não se conseguiu atingir os níveis que seriam de esperar, com exceção aos Sub-17 na prova continental. Mas que as selecções se qualificaram e levaram o nome e a bandeira de Angola nos palcos competitivos, lá isto conseguiu-se com menor ou maior dificuldade, e não se pode fazer vistas de mercador a este feitos.
E mais: o país vive uma fase de grande recessão econômica, e as dificuldades que vezes sem conta embaraçam a planificação da FAF, são também enfrentados noutros sectores da vida social, sendo que assumir a presidência de uma federação nesta altura do campeonato representa um acto de muita coragem e determinação.
Aliás, os problemas vividos no futebol não são de hoje, remontam das anteriores direções federativas, talvez descontando-se a de Armando Machado, que terá sido, indubitavelmente, a mais organizada, mais dinâmica e aquela que também mais alegrias deu ao povo. É daí que, olhar para a gestão de Artur de Almeida só com olho crítico, pode ser coisa de gente, que enxerga apenas o mal.
Anunciam-se para este ano as eleições de mudança ou de continuidade, veremos quantos candidatos hão-de se apresentar ao crivo. A actual conjuntura econômica, diga-se em abono da verdade, é desencorajador. E não fica muito bem apupar aqueles que, com alguma coragem, ousam assumir desafios hercúleos.

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