Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A imagem do Girabola

22 de Novembro, 2017
É um insulto, se outra palavra não couber, a história do Sporting de Cabinda. A Federação Angolana de Futebol tem por conta disso uma soberana oportunidade para impor respeito ao futebol nacional.
Não é admissível a brincadeira que os clubes nacionais fazem com a imagem da principal competição do futebol nacional, o Girabola. Da Federação Angolana de Futebol espera-se assim uma medida urgente e incisiva contra essas práticas que entram perfeitamente na categoria de “chantagem”.
Um regulamento de competições com força de acabar com essa brincadeira impõe-se. Se a Federação Angolana de Futebol tiver outras coisas, deve arranjar com a urgência que a situação impõe uma folga na sua agenda para tratar disso antes que as equipas comecem a perfilar para disputar o próximo Girabola.
O valor de um produto, como é o futebol, e por arrasto o Girabola, afere-se também pela imagem que vende. Ou por outras palavras, pela forma como é percebida pelo público ao qual se destina.
Um produto cuja imagem é desrespeitada, que se confunde com uma brincadeira quase nunca é desejada de todo. A FAF sabe que precisa de valorizar “a sua galinha dos ovos dourados”, o Girabola.
Disso resulta que precisa encontrar medidas para “proteger” a imagem da competição, e das marcas ou empresas que a elas se associam. De outro modo, continuaremos a ter uma prova amadora, pouco atractiva e sem dinheiro para premiar os vencedores.
Só pode participa quem tiver capacidade financeira para suportar as despesas da competição, salvaguardando desse modo a verdade desportiva, a imagem da prova e os adeptos. Tudo, a capacidade financeira em particular, deve ser aferida antecipadamente, com garantias.
Como se concebe que o Sporting de Cabinda tenha disputado a Segundona, sem garantias financeiras para disputar o Girabola? Os seus responsáveis devem ter consciência da seriedade de dirigir um clube.
Comprometer-se com jogadores e treinadores e depois não saber onde ir buscar dinheiro para honrar os compromissos, é no mínimo irresponsável. É hora de quem se coloca na pele de gestor desportivo ter um pouco de mais decoro e ética. Não é aceitável que alguém vá para um clube para depois ficar a choramingar diante de governos provinciais ou pessoas de boa fé a fim de poder fazer a sua gestão.
Onde fica a planificação? Será que os orçamentos que elaboram estes gestores não prevêem receitas e despesas a fim de suportar os diferentes encargos durante a época desportiva? É a resposta que gostaríamos de saber destes!

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