Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A lio de Madeira

20 de Fevereiro, 2017
O desporto é sem dúvidas o reflexo do apurado espírito de democraticidade. Disto não há a menor dúvida. Não é sem razão, que mesmo no tempo da guerra fria, momentos havia em que se observava um breve cessar-fogo para permitir que as pessoas assistissem as competições. Enfim, podia dizer-se que o desporto representa a bandeira da liberdade, da união, e da concórdia.

Falar de eleições em Angola, implica, necessariamente, passar pelo campo desportivo. Foi por esta via que se assistiu no nosso país ao primeiro escrutínio. A Federação Angolana de Futebol, queiramos ou não, é a mãe das eleições no nosso país. Em 1991, um ano antes das primeiras eleições legislativas e presidenciais, realizaram-se as primeiras eleições neste órgão federativo, que elegeu Armando Augusto Machado presidente da FAF.

Daí se explica, que no desporto haja sempre fair-play, pese embora de quando em vez, se verifiquem também alguns mal-entendidos, mas sem laivos de gravidade. Procura-se sempre encontrar uma solução da situação, como aliás aconteceu no acto eleitoral da Federação Angolana de Basquetebol, onde depois de algumas incompreensões as parte partiram para a aproximação, numa clara demonstração de maturidade democrática.

Surge tudo isso para dar realce à reacção que tiveram os integrantes da Lista B, nas eleições na Federação Angolana de Basquetebol, tão logo souberam do resultado do escrutínio. Saudaram pacificamente a lista vencedora, numa assumpção de derrota. É salutar quando as coisas acontecem assim. É um exemplo de civismo e de integridade.

Paulo Madeira, perdeu a eleição, mas não perdeu a dignidade e o carácter. Mostrou claramente que é um homem que sabe estar no desporto. Assumiu a derrota com o mesmo espírito com que assumiu as vitórias que levaram aos dois mandatos que cumpriu na Federação Angolana de Basquetebol. Nas democracias é assim mesmo. Lidera-se e depois dá-se oportunidade a outros.

O que deve tranquilizá-lo, a si e ao seu elenco, é que não passaram pela Federação de forma gratuita. Tiveram algumas realizações que o país registou. A modalidade manteve o seu nível competitivo, não obstante ter perdido os Afrobasket de Antananarivo (2011) e Tunis (2015). Afinal, em termos de massificação da modalidade, assim como de investimento nos escalões de formação, registaram-se passos assinaláveis.

Por tudo isso, e desejando sucessos à direcção de Hélder Cruz, pensamos que Paulo Madeira deixa a Federação de cabeça erguida, e com espírito de missão cumprida. Pode ter sido este factor que jogou ou influenciou a sua postura. Porque os realizadores sabem sair. Rebelam e contestam os resultados, aqueles que pouco ou nada fazem. Boa lição Paulo Madeira.

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