Jornal dos Desportos

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Opinio

A prata de casa

17 de Fevereiro, 2020
Circularam informações nos ‘midias’ e particularmente no nosso jornal, na semana finda, dando conta do possível regresso de Carlos Dinis ao comando técnico da Selecção Nacional de basquetebol sénior masculina. E a confirmar-se este pressuposto, o conceituado treinador angolano renderá no cargo o norte-americano Will Voigt.
Além de ter já orientado o «Cinco Nacional» e ser dos mais experimentados técnicos da nossa praça, Carlos Dinis, como conhecedor dos meandros da modalidade intramuros, pode ser, efectivamente, uma aposta certa para conduzir os destinos do combinado angolano no Torneio Pré-Olímpico. Não queremos, com isso, fazer juízos de valor.
Sabemos que na baila aparecem outros treinadores para render o norte-americano Will Voigt, casos dos também angolanos Alberto de Carvalho “Ginguba”, Raul Duarte e José Carlos Guimarães, mas o tempo que nos separa para a disputa do torneio, que acontece de 23 a 28 de Junho próximo, na Lituânia, obriga a que se encontre uma alternativa imediata. E, nesta altura, seria bom apostar na “prata da casa”, como soe dizer-se.
A exemplo do que acontece no futebol nacional, em que vezes sem conta apostou-se em técnicos expatriados, porém a mais pura realidade é que os feitos mais assinaláveis do nosso desporto-rei tiveram o punho de um angolano: Luís de Oliveira Gonçalves.
Conduziu o país à conquista de um Campeonato Africano das Nações (CAN) de Sub-17 e à qualificação inédita a Mundial de seniores, feito que nenhum outro logrou. Passaram “ene” seleccionadores estrangeiros nos Palancas Negras, que tiveram contratos a “peso de ouro” e que, no entanto, não trouxeram nenhum valor acrescido para o nosso futebol.
No basquetebol, o quadro não foge à regra. Se por um lado, podemos exaltar a figura de luso-guineense Mário Palma, como dos mais credenciados técnicos estrangeiros que já passou pelo nosso basquetebol, o mesmo se calhar, não se pode dizer de Will Voigt.
Assumiu os destinos da Selecção Nacional a peso de ouro, mas sem, na verdade, trazer valores acrescidos para a equipa de todos nós. É apenas uma apreciação que se faz do tempo em que o norte-americano esteve à frente dos destinos dos hendeca-campeões africanos, mas respeitando-se, como é óbvio, a opinião de quem pense o contrário.
Um outro aspecto caricato que envolveu a contratação de Will Voigt, é que orientou o «Cinco Nacional», mas residindo fora das nossas fronteiras, alegadamente por Angola ser um país com custo de vida extremamente alto. E no final da história, resta saber se terá ou não valido a pena a sua opção para orientar a Selecção Nacional, ou se não seria mais sensato apostar num treinador nacional, pois nesse caso poupar-se-iam despesas, com realce para a propalada dívida de 750 mil dólares que a direcção da Federação Angolana de Basquetebol (FAB) tem ainda hoje com o técnico das Terras do Tio Sam.
Por isso, há que se pensar em soluções imediatas, em relação à equipa técnica que vai orientar o combinado nacional no Grupo B do Torneio Pré-Olímpico, em que Angola mede forças com as similares do Polónia e da Eslovénia. É prioridade das prioridades…

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