Jornal dos Desportos

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Opinio

A queda do 1 de Maio

25 de Outubro, 2016
Tal como apontavam as previsões, a jornada do fim-de-semana do Girabola Zap tratou de apear da prova, uma das duas equipas benguelenses.

A derrota no jogo com a Académica do Lobito, os encarnados da Rua Domingos do Ó ficaram irremediavelmente fora da corrida, realizam as últimas duas jornadas por mero cumprimento de calendário. Ainda assim, não se considere estável a condição dos estudantes.

Portanto, não há um clima favorável, por parte da primeira província a desviar o título da prova, de Luanda, em 1983.A história narra, que em 1983 e 85 um destemido 1º de Maio, com jogadores de alto gabarito, entre os quais Maluka, Zandú, Sarmento, Fusso e demais, mostrou ao país que a província de Benguela era também uma forte praça futebolística. As suas equipas, como o Nacional e o Desportivo gozavam de grande respeito.

Na época, o futebol benguelense só era comparado ao que era praticado em Luanda, e no Huambo. Houve inclusive edições, em que a província era representada por mais de duas equipas, o que configura a nosso ver, o quadro normal para uma Benguela que já deu ao mundo de futebol, jogadores de grande referência. A inversão do quadro, veio com o fim do Estado Providência.

A partir daí, muitas equipas perderam a tutela financeira das principais empresas estatais, e as dificuldades emergiram. O descalabro da África Têxtil, que na época era a principal indústria de confecções têxteis, da África Austral, representou um rude golpe às intenções da equipa campeã de 1983 e 85.

Tudo começou a complicar a partir desse momento, e o clube passou a sobreviver de forma penosa. Faz tempo, que o 1º de Maio não consegue estabilidade competitiva no Girabola, faz um percurso de sobe e desce.

Nos últimos anos, divide a actuação entre o campeonato nacional da primeira divisão e da segunda divisão. Esperemos que depois desta queda, se levante e em 2018 se juntar às equipas da fina-flor. Entretanto, a pergunta que se coloca, é se vale a pena subir para voltar a descer.

Na verdade, causa inquietação o actual estatuto futebolístico da província, ante o risco da Académica conhecer o mesmo destino. Dificuldades de ordem financeira não permitem às direcções de clubes terem uma gestão estável, é certamente o que está na base deste quadro sombrio.

Afinal, desde o princípio da época que os dois representantes da província não mostram uma prestação regular, algo que se reflectiu numa classificação quase atribulada.

Consumada a queda do 1º de Maio no Girabola Zap 2016, resta esperar que os estudantes tenham absorvido melhor a lição, que façam tudo para passar nos testes. Benguela não fica bem na fotografia, sem um representante no campeonato nacional da primeira divisão. É terra de futebol e de estrelas, que escreveram os seus nomes com letras douradas na história.

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