Jornal dos Desportos

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Opinio

A rota para a China

31 de Agosto, 2017
Com a maior calma e sentimento do dever cumprido, a Federação Angolana de Patinagem (FAP) veio a público anunciar a desistência da participação do país no Mundial de Sub 20, que decorre em Nanjing, China.

Tal anúncio, é justificado numa pobre nota de imprensa, em que justificação campeia em torno da incompreensível falta de documentação dos atletas convocados. Incompreensível, para adeptos e contribuintes, que confiaram a gestão da modalidade a uma entidade que realizou os campeonatos jovens, no princípio do ano, e afinal, não tem o controlo da documentação dos atletas.

Na nota a Federação refere apenas, que no dia 18 de Agosto foi possível juntar os passaportes dos integrantes da selecção sub20, para tratar questões migratórias. Ora, a selecção foi convocada a 26 de Julho. Jogou de 27 de Julho a 3 de Agosto o torneio \"Vota Angola\". Houve, portanto, tempo de sobra para sem negligência evitar que o país se visse na vergonha de desistir, à última hora, de uma competição há muito programada.

A decisão da realização de jogos mundiais de patinagem foi tomada em La Roche Sur Yon, França, em 2015. Na nota, a Federação descreve o rosário por que passou para descobrir a rota para a China, qual navegantes de primeira viagem. Sem culpas, a imaculada Federação refere que tudo fez \"para que esta selecção, e por ser a de escalão de formação, fosse representar Angola, pois são o garante da modalidade\".

Hirondino Garcia, presidente da direcção da Federação, que na tomada de posse prometeu trabalhar para melhorar o ranking do país, acena agora aos miúdos e tranquiliza o país, com a promessa de levar esta selecção a disputar um torneio internacional. \"Por este motivo, fica o compromisso de levarmos este grupo a um torneio internacional a realizar-se em Pretória, África do Sul, ainda dentro deste ano\", prometeu o referido presidente como se da mesma coisa se tratasse.

É costume dizer-se, que ninguém é insubstituível nas suas funções, mas são situações do género, questões de pormenor, que diferenciam a gestão de uns, da de outros. E, nesta altura, se alguém dizer que sente saudades de Carlos Alberto Jaime \"Calabeto\", antigo presidente, não é algo de estranhar, ou até de dizer, que se trata de algum saudosista.

A somar a este desaire, que deixou a selecção sub-20 fora do Mundial da China, está também a não indicação de nenhum árbitro angolano para apitar na competição, quando o normal seria a presença de pelo um deles, a julgar pelo ranking que ocupam a nível mundial, e as presenças regulares nas principais competições internacionais.

Esperava-se, portanto, que a Federação fosse mais convincente nas suas justificações, para que os prosélitos e agentes da modalidade compreendessem melhor, o que de facto aconteceu e resultou nesta tremenda trapalhada.

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