Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A seriedade do desporto

16 de Abril, 2017
O Congo Brazzaville confessou a sua incapacidade financeira para acolher o próximo Afrobasket, que se disputa dentro de quatro meses. Sem dúvida, é uma situação que prejudica a imagem da modalidade, no continente, como além-fronteiras. Estamos a falar da maior competição do continente, prova que reúne muitos altelas que militam inclusive na NBA, liga norte-americana de basquetebol.

Seria compreensível se houvesse uma castátrofe natural ou qualquer estado de sítio, de guerra, grandes endemias ou coisa próxima. Seria não apenas sensato que o governo congolese desistisse, como se impunha ao continente toda uma corrente de solidariedade. Não, trata-se de uma questão de indisponibiliade financeira, situação sempre previsível. Nao faz sentido por isso que a quatro meses da prova, o Congo declare a sua incapacidade para ser a sede da prova.

Não é aceitável que este seja comportamento de um Estado que se supõe ter um orçamento. Ou das previsões das receitas em vista, o estado arrecadou apenas dez, quinze por cento ou abaixo disso? Estará o Congo numa situação de escolher entre comer ou organizar o Afrobasket? É avisado que o Congo estivesse à espera das receitas deste ano para engajar na organização da competição? Um cem número de perguntas se colocam para perceber esta decisão (péssima, diga-se) do Congo.

A Fiba-Afrique, assim como a sua similar do futebol, Confederação Africana de Futebol, não podem ter meios a medir nesta circunstância. É preciso reunir o principal órgão deliberativo da Fiba e punir exemplarmente o Congo. Seria no mínimo obrigado a ressarcir todos os danos causados a terceiros, que podem ser também as federações nacionais, que eventualmente ja fizeram reservas, já terão gastos em bilhetes de passagens e outros.

Portanto, uma decisão a quatro meses da competição tem sem dúvidas implicações na preparação das equipas, na sua organizacao porque uma coisa é prever jogar no Congo, podendo ser menos caro para o caso de Angola, outra é jogar no Egipto ou na Tunísia, ou qualquer outro país que queira substituir o Congo.

Seria por exemplo desastroso para os países participantes ter de refazer os seus orçamentos. Melhor dito, serem obrigados a duplicar os orçamentos porque vão ser obrigados a disputar a prova num país diferente daquele que livremente e de sã consciência, conhecendo a sua incapacidade, assumiu organizar a prova. Estes países, assim como o Marrocos, deviam estar afastados de competir por muito tempo, como forma de prevenir futuras deserções.

\"Cest l\'afrique\", lema que serve para nos desculparmos de todas as nossas incapaciades de realizações não pode nos acompanhar por séculos. É uma desculpa que deve ficar arquivada no contexto dos primeiros anos de independência, altura em que governos inteiros não conheciam conceito de Finanças Públicas ou Direito Administrativo.

Últimas Opinies

  • 19 de Março, 2020

    Escaldante Girabola

    O campeonato nacional de futebol da primeira divisão vai dobrando os últimos contornos. A presente edição, amputada face a desqualificação do 1º de Maio de Benguela, abeira-se do seu fim . Entretanto, do ponto de vista classificativo as coisas estão longe de se definirem. No topo, o 1º de Agosto e o Petro travam uma luta sem quartel pelo título.

    Ler mais »

  • 17 de Março, 2020

    Cartas dos leitores

    Estamos melhor do que nunca. A pressão é para as pessoas que não têm arroz e feijão para comer. Estamos sem pressão, temos todos bons salários e boas condições de trabalho. Estamos numa situação de privilégio e até ao último jogo tivemos apenas duas derrotas.

    Ler mais »

  • 17 de Março, 2020

    Jogos Olmpicos2020

    A suspensão de diferentes competições desportivas a nível mundial em função do coronavírus, já declarada pela OMS-Organização Mundial da Saúde como Pandemia, remete-nos, mais uma vez, a reflectir sobre a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Pelo menos até aqui, o COI-Comité Olímpico Internacional mantém de pé a ideia de realizar o evento nos prazos previstos.

    Ler mais »

  • 14 de Março, 2020

    FAF aquece com eleies

    Cá entre nós, o fim do ciclo olímpico, tal com é consabido, obriga, por imperativos legais, por parte das Associações Desportivas, de um modo geral e global, a realização de pleitos eleitorais para a renovação de mandatos.

    Ler mais »

  • 14 de Março, 2020

    Cartas dos Leitores

    Acho que o Estado deve velar por essas infra-estruturas.

    Ler mais »

Ver todas »