Jornal dos Desportos

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Opinio

A sorte de Ary Papel

11 de Abril, 2017
Adeptos do 1º de Agosto e do futebol, de um modo geral, festejaram a ida de Ary Papel e Gelson para o Sporting de Portugal, onde se espera que possam dar o desejado passo nas respectivas carreiras. Impossibilitados de integrar a equipa principal, pelo facto de encontrarem já época a meio, e precisarem também de conhecer a realidade do futebol daquele país, os jogadores foram colocados na equipa B.

Nada contra, porque nos parece acertada a ideia, mas depois de alguns jogos, Ary Papel foi emprestado ao Moreirense, clube da primeira divisão ou Liga NOS. Com Augusto Inácio, até então, treinador daquela formação, o jogador ainda sentou no banco de suplentes por mais de três vezes.

Porém, a saída do treinador ou a sua substituição por Petit, significou igualmente a exclusão do jogador da lista dos convocados, ficando por se saber que possibilidade tem o jogador de alinhar pelo Moreirense ainda esta época. Pior do que isso, a exclusão do jogador da lista dos convocados pode \"arruinar\" com a motivação do jogador, e hipotecar o seu futuro.

É de longe preferível tê-lo no Sporting B, onde jogava e tinha a companhia do seu colega Gelson, e para o treinador Jorge Jesus o observar se dá para entrar já na equipa principal ou precisa ainda de mais rodagem, o que podia acontecer, sendo emprestado para uma equipa com o compromisso de o utilizá-lo. De outro modo, não faz sentido estar no Moreirense a fazer verbo -encher.

Não queremos cair na tentação de desvalorizar o futebol do Moreirense tão-pouco os jogadores que a equipa possui, muitos dos quais bons, como Drame e outros, mas acreditamos que Ary Papel pode sim jogar nessa equipa, como suplente ou titular, é outra discussão. Mas ninguém nos convence de que Ary Papel não tem condições de jogar nessas equipas, porque há muitos jogadores vindos de Portugal, que experimentaram o Girabola e não foram melhores do que Ary Papel.

Pode parecer absurda a comparação, mas é uma via para fundamentarmos ou justificarmos a capacidade de Ary Papel. Infelizmente, os angolanos insistem em ter Portugal como porta de entrada para Europa, mas temos muitos exemplos infelizes. Muitos talentosos ficaram pelo caminho, Akwá e outros não conseguira impor-se em Portugal.

Podia-se equacionar a possibilidade dos jogadores angolanos entrarem por outros países, como França, Bélgica, tal como fez o central Bastos.Começou pelo campeonato russo, e está hoje no campeonato italiano, futebol mais complicado e competitivo do que o português, sem desprimor.

Talvez não tivesse a mesma sorte, se tivesse entrado por Portugal. Os clubes angolanos deviam pensar duas vezes quando tivessem de transferir os seus jogadores para o futebol português. Um futebol que recusou Ronaldinho Gaúcho, pode recusar qualquer outro, pior ainda se for angolano.

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