Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A vitria do Real Sambila no Nacional de sub-20

31 de Janeiro, 2017
Enquanto os seniores preparam a época futebolística 2017, que pela segunda vez na sua história vai jogar-se sob a chancela patrocinadora da ZAP, parte das atenções dos amantes do desporto rei esteve focada, pelo menos até ao meio da semana passada, nos campeonatos nacionais de sub-17 e sub-20.

Não significa isso, ausência de atenção ao anúncio de desistência do Benfica de Luanda, do Girabola 2017, na mesma semana em que o confrade de Lisboa foi afastado da possibilidade de disputar a final da Taça da Liga, por obra do modesto Moreirense que passa a contar com os préstimos de Ary Papel, cedido à título de empréstimo.

Todavia, é do futebol jovem que decidimos falar hoje, até porque é um segmento desportivo com pouca presença nas pautas das grandes abordagens do futebol Angola, pelo que aproveitamos a ocasião para uma pincelada, sobretudo, em torno da conquista do Real Sambila, na categoria de sub-20.

Em substância, estamos a recordar que os campeonatos foram ganhos pelo 1º de Agosto e pelo Real Sambila, respectivamente, em sub-17 e sub-20, provas que movimentaram durante alguns dias as cidades de Benguela e de Cabinda, com aceitável nível técnico assim como de assistentes.

Se para o Clube Central das Forças Armadas Angolanas, o feito sabe a pouco em termos de novidade, por reflectir a revalidação do título, para a formação do Real Sambila a conquista tem um sabor especial, por ser a primeira vez, que tal desiderato é conseguido.

Em termos concretos foi o coroar de uma equipa, cujas condições de trabalho em quase todos os aspectos em nada se equiparam com equipas como o 1º de Agosto, Sagrada Esperança, Académica do Lobito, AFA e outros tantos, que disputaram o troféu com os pupilos de Adão Costa.

O facto prova, que o futebol é o que acontece no momento, e que têm razão os que dizem que camisolas e números não jogam, e acrescentamos tão pouco as infra-estruturas, apesar do papel que estas desempenham em todo o processo desportivo que culmina com os resultados.

Aliás, em função do futebol ser a caixinha de surpresa, obrigamo-nos a aceitar com alguma naturalidade a conquista do Real Sambila, que merece todo o mérito da nossa parte, pois factos são factos e contra eles não existem argumentos, conforme se fala e ouve-se na nossa urbe.

Aqui chegados, levantamos a questão se há algum segredo que funcionou como mola impulsionadora de uma equipa, que treina em campo alheio (Força Aérea Nacional), sem as mínimas condições para o que se recomenda à prática desportiva, sobretudo, nos escalões de formação?

Por nós fica difícil responder a questão acima exposta, arriscamos dizer que o crer dos jogadores, da direcção e da equipa técnica funcionou como estandarte para a conquista do troféu, por parte dos “miúdos” do Real Sambila, que passa a ser uma equipa a referir na narração dos factos do futebol angolano.

Isso mesmo, foi revelado pelo Vice-presidente de Direcção do Real Sambila, em entrevista à um órgão de comunicação social angolano, que por ele, dada as dificuldades até mesmo de transporte para o local da prova, tencionava desistir mas foi demovido da pretensão, pelos atletas e treinadores.

Esta crença, bem como a capacidade de ultrapassar dificuldades, parece ser marca registada dos angolanos em todos os sectores da vida social, o que faz de nós, de facto, um povo especial, e neste particular quem se tornou especial foi o Real Sambila, à quem desejamos parabéns.
Carlos Calongo

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