Jornal dos Desportos

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Opinio

Acabar com o imediatismo

25 de Agosto, 2014
Dentro de uma semana os Palancas Negras iniciam a corrida para o CAN de Marrocos. É altura da Federação Angolana de Futebol tomar uma posição. Uma posição de sensibilização, de modo a conter a euforia e aliviar a pressão sobre o seleccionador nacional e dos jogadores.

Não haja dúvida que estamos hoje diante de uma equipa com mais talentos, em quantidade e qualidade. Contudo, o talento em si não é garantia de bons resultados. O talento não qualifica os Palancas Negras automaticamente para o CAN. Ao talento é necessário juntar trabalho. É necessário dar conjunto à Seleccao Nacional.

Os amistosos que fez deram-nos a ver uma equipa competitiva mas com necessidade de conjunto. Eis porque consideramos importante uma posição da Federação Angolana de Futebol, muito antes da euforia inundar o ambiente das eliminatórias. Impôe-se dar ao seleccionador nacional e aos jogadores esse conforto emocional, porque estamos em fase renovação.

A reconstrução exige tempo. Primeiro para os jogadores se conhecerem mutuamente. Depois conhecerem a filosofia de trabalho do seleccionador. Terceiro conhecerem bem os meandros do futebol angolano que diferem das outras realidades nas quais estão inseridos jogadores que constituem hoje os Palancas Negras e estão a jogar noutros no estrangeiro. E ainda adaptarem-se às dificuldades que as equipas adversárias habitualmente impõem no nosso continente.

A equipa precisa de conhecer esses rituais. Uma vez adaptada, é altura de exigir.
Ir ao CAN de Marrocos é o desejo de todos. Ninguém pode ignorar os feitos positivos que resultam da nossa presença numa fase final da competição. Há muitos frutos a colher, quer colectivamente (como equipa) quer individualmente( os jogadores). Contudo se não nos qualificarmos, ninguém vai morrer por isso. Uma eventual eliminação é natural. Nem todos podem ganhar.

É altura de rompermos com a cultura do agora, do semeia hoje e colhe hoje. Disse uma vez um empresário brasileiro que o sucesso antes do trabalho só se vê no dicionário, onde o S antecede o T. Na vida prática, é quase sempre o inverso. Trabalho primeiro e sucesso depois, esta é a ordem natural das coisas.

Portanto, é imperioso conter a euforia que possa levar a exigências que não se enquadrem com a nova era que os Palancas Negras estão a construir. Cada coisa a seu tempo, para que o objectivo mediato (voltarmos a ter uma selecção forte e competitiva) não seja corrompido pelo imediato (presença no CAN a qualquer preço).

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