Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Acabou a festa

15 de Julho, 2014
Após cerca de um mês inteiro de efusiva festa futebolística, o Brasil disse adeus ao XX Campeonato do mundo de futebol. Para trás fica o registo positivo de ter recebido a maior cimeira futebolística mundial. Mas como não há bela sem senão, para trás também fica o registo negativo de uma prestação para esquecer. O país do samba não viu consumado o objectivo competitivamente definido, tão-pouco compensado o investimento aplicado na construção de excelentes infra-estruturas desportivas. Mas, pensamos que em termos de imagem ganhou alguma coisa. Pois, aqueles que, embalados na euforia da prova, foram parar a Brasília, Belo Horizonte, São Paulo e outras cidades que receberam os jogos, puderam constatar, com os próprios olhos, o nível de crescimento, em vários domínios, que conhece aquele país sul-americano.

O balanço dos níveis organizativos que atingiu o certame vem depois. Mesmo assim, o governo brasileiro já se pode dar por feliz e vitorioso por ter conseguido, durante a disputa da prova, atrair os olhos do mundo para o seu perímetro territorial. Claro está que ocorreram algumas situações embaraçosas, como a venda ilegal de ingressos. Mas não é o suficiente para uma avaliação negativa do campeonato.Em termos competitivos, reiteramos, as coisas para o país anfitrião não correram como se esperava. Mas em termos gerais houve uma disputa bastante salutar para as posições qualificativas. Muitas selecções de quem à partida pouco ou nada se esperava acabaram por surpreender pela positiva.

Vimos selecções como o México, Costa Rica, Chile, Bélgica e Colômbia, muito amadurecidas e com futebol de apurado teor qualitativo, que quase conduziram o mundo à magia da sua exibição. Os oitavos-de-final foram sintomáticos deste grau de evolução, de tal sorte que quase todos os jogos foram decididos no tempo adicional aos 90 minutos. Ou no decurso dos 30 minutos ou na série de pontapés de grandes penalidades.No Brasil ficou o sinal do que pode vir a ser a próxima edição a disputar dentro de quatro anos na Rússia. Na verdade, se as selecções continuarem a trabalhar ao mesmo ritmo vamos ter no Rússia2018 muita disputa pelos lugares qualificativos, e quiçá maior número de candidatos ao título. O campeonato do Brasil também se destacou pelo número de golos marcados.

Quanto à participação africana, esteve muitos furos abaixo daquilo que tinha sido a edição de 2010 na África do Sul. Desta vez, dos cinco representantes apenas a Nigéria e Argélia conseguiram passar da primeira fase. Terá o futebol africano regredido? Talvez sim, talvez não. Mas a verdade é que na África do Sul vimos um Gana ousado que só por manifesta falta de sorte não chegou às meias-finais.De resto, o que foi o Brasil2014 não esgota nas breves linhas de um editorial. Já dissemos que o balanço da organização vem a seguir. Tudo indica que, na hora de arrumar a casa, os brasileiros vão chegar à conclusão de que de nada valeu o desafio de organizar a prova. O título era o objecto compensatória de todo investimento feito e esteve longe do alcance.Mas é assim a vida, feita de desafios, que tanto podem ser superados ou não. Em alguma coisa o Brasil errou. E sendo assim, só tem de queixar-se de si mesmo, por não ter conseguido sequer chegar à final, e como se não bastasse brindou-nos com resultados humilhantes que ficam marcados em cada brasileiro.

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