Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Acautelar desistncias

30 de Novembro, 2014
Já foi assim no tempo da guerra em que mesmo com o país quase dividido, as equipas de futebol enfrentavam e fintavam as dificuldades para manter o país uno e indivisível e proporcionar alegrias e lazer ao povo.

Agora e já com a paz, surgem de um tempo à esta parte outras formas de entretenimento e lazer, pensamos que o desporto continua a ser por excelência o grande escape para a maioria esmagadora dos angolanos, sobretudo aos fins de semana, no que a diversão diz respeito. Aliás, o nosso povo já deu mostras de ter uma afinidade muito grande com o desporto no geral e com o futebol de forma muito particular.

Acontece, porém, que todos os anos há equipas que antes ou depois do início do Girabola, a mais prestigiada competição do futebol nacional, ameaçam desistir da prova por falta de recursos financeiros, mesmo sabendo à partida que a competição exige além da capacidade competitiva, antes deve haver capacidade financeira para fazer face a um conjunto de despesas indispensáveis, para manter a equipa em dia até à conclusão da prova.

Mesmo sem ser vocação dos governos provinciais, o apoio directo às equipas que representam a província é lastimável, contudo, assistir o desinteresse que muitos evidenciam em relação às dificuldades por que passam os seus representantes, responsáveis em muitos casos pela visibilidade que a própria província ganha e pelos momentos de lazer que o povo desfruta, sempre que haja futebol na região.

Os problemas vividos pelo 1º de Maio de Benguela, Desportivo da Huíla e União Sport Clube do Uíge, por sinal as três equipas relegadas este ano para o escalão secundário do futebol nacional, é bem o exemplo de como faz imensa falta um contributo mais activo da parte de quem está na governação da província. Não podendo prestar uma colaboração directa, pensamos que de modo indirecto é possível mobilizar aportes para ajudar a minorar as dificuldades, que muitas das vezes são determinantes para o mau desempenho das equipas.

Se é verdade que devem ser as direcções dos clubes a trabalhar para garantir as condições indispensáveis à satisfação das várias necessidades, não é menos verdade que de modo indirecto a actividade desportiva acaba por ser um vector que contribui também para uma melhor governação local. Afinal, tem se dito que para uma mente sã é preciso antes termos o corpo são, e é por via da prática desportiva que se efectiva esse binómio.

Quando as equipas estão a competir no segundo escalão, todos os governos manifestam interesse em ver os seus representantes na “fina flor” do futebol nacional, mas depois de lá estarem viram-lhes as costas, parece não demonstra qualquer sensibilidade para com os problemas que apresentam. Os dirigentes dos clubes gritam, clamam, esperneiam e ninguém depois a nível dos vários estratos da sociedade, muge ou tuge.

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