Jornal dos Desportos

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Opinio

Acesso ao Qatar

20 de Julho, 2019
Apesar da qualificação inédita numa fase final de um Mundial de Futebol, algo que ocorreu curiosamente em 2006, edição organizada pela Alemanha, a Selecção Nacional figura hoje, no leque das 28 piores classificadas do “ranking” do órgão que superintende o desporto-rei a nível do globo. Por esse facto, o combinado angolano vê-se na contingência de ter que disputar uma preliminar, para o acesso ao Qatar-2022.
A par de Angola, Namíbia, Malawi, Reino da eSwatini (ex-Swazilândia), Lesoto, Botswana, Comores, Maurícias, República Centro Africana, Serra Leoa, Togo, Sudão, Tanzânia, Burundi, Ruanda, Guiné Equatorial, Comores, Etiópia, Libéria, Gâmbia, Sudão do Sul, Chade, Seychelles, Djibuti, Eritreia e Somália são outras selecções entrincheiradas nesse carrossel. Por isso, não se descarta o cruzamento dos Palancas Negras com qualquer um desses conjuntos no jogo das preliminares.
Além dessas selecções, Guiné Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, que integram, tal como Angola, os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), são outras equipas que figuram entre as piores classificadas do ranking da Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA). Os angolanos, apesar do prestígio granjeado há uns anos, enfrentam agora um momento conturbado no seu futebol.
Aliás, a recente participação na Taça de África das Nações, que cerrou ontem as cortinas, com a consagração do Senegal/Argélia, atestou bem o momento periclitante por que passa o futebol no país. No Egipto, os angolanos saíram cabisbaixos da prova, classificando-se como os piores terceiros classificados do geral e ficando, assim, pelo caminho logo no primeiro turno. Foi, por isso, uma campanha para esquecer.
Nessa altura, fala-se de um mau ambiente no balneário dos Palancas, embora ainda abafado. Há rumores, inclusive, que o actual seleccionador nacional, o sérvio Srdjan Vasiljevic, e a Federação Angolana de Futebol (FAF) estão em rota de colisão. E tudo pelos atrasos nos pagamentos dos salários do técnico e dos membros da sua equipa de trabalho, bem como por algumas desonras nos prémios pela campanha de Angola no Campeonato Africano das Nações (CAN) deste ano, que o Egipto acolheu. Aliás, criou também descontentamento no seio dos jogadores, já que a premiação não abrangeu aos que participaram em apenas um e dois jogos do apuramento ao Egipto-2019, depois da FAF receber os 500 mil dólares atribuídos pela Confederação Africana de Futebol. Isto aliado ao facto da FAF ter pago em kwanzas e não em dólares, moeda com que foi agraciado pela CAF.
É importante lembrar, que as eliminatórias para o Qatar-2022 vão ser disputadas em três fases: uma primeira constituída pelas 28 selecções menos cotadas no ranking da FIFA, onde sairão as 14 selecções vencedoras, que se irão juntar aos 26 combinados nacionais isentos da primeira fase, que vão ser sorteadas para a fase de grupos. Depois serão apurados apenas os primeiros classificados de cada grupo para a última eliminatória, que vão disputar os jogos no sistema de eliminatória única a duas mãos.
Já em relação ao CAN de 2021, nos Camarões, cujas eliminatórias decorrem de 11 de Novembro deste ano a 17 de Novembro de 2020, Angola vai actuar ao lado da similar do Congo-Democrático e do Gabão, bem assim como do vencedor da pré-eliminatória entre Djibuti e Gâmbia. E espera-se, para já, por uma postura mais ousada do combinado nacional.

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