Jornal dos Desportos

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Opinio

Adiamento do CAN

14 de Outubro, 2014
O governo de Marrocos apelou para a fase final da Taça das Nações Africanas (CAN) de futebol de 2015 ser adiada, por causa da epidemia de ébola. Um pedido também apoiado, vale dizer, por clubes europeus logicamente interessados em salvaguardar o interesse dos seus atletas.Contudo, a Confederação Africana de Futebol (CAF) não se sensibilizou, ao menos por agora, com o pedido marroquino. E, embora sob o risco de expansão da epidemia do vírus do ébola, a bola deve mesmo rolar no começo do 2015.

A competição está prevista para o período de 17 de Janeiro e 8 de Fevereiro, em Marrocos. Porém, o ministro da Saúde daquele país norte-africano já considerou aconselhável que não se realizem eventos que envolvam os países mais afectados com o vírus do ébola.O pedido para o adiamento do CAN2015 já foi apresentado ao organismo continental do futebol, a Confederação Africana (CAF). Porém, num comunicado de imprensa, a CAF frisou que todas as recomendações da Organização Mundial da Saúde já são respeitadas durante o período das eliminatórias para o CAN 2015.

Por outro lado, a entidade relembrou que os problemas enfrentados até aqui pelo continente não impediram que, desde 1957, a programação de todos os seus CAN fosse respeitada.A aposta na realização do Campeonato Africano das Nações é, no entanto, discutível, sobretudo porque certamente motivada por aspectos económicos. Afinal um adiamento traz graves prejuízos à CAF. O pedido do Governo marroquino tem a sua lógica, porque embora nenhum caso de ébola tenha sido registado até agora em Marrocos, é evidente que o aumento do fluxo de pessoas dentro do continente africano pode agravar a epidemia durante a competição.

Na próxima semana, o Governo marroquino vai enviar uma delegação ao Cairo, capital do Egipto, para uma reunião com o executivo da CAF, na qual vai explicar os motivos que estão por detrás do possível adiamento da competição e as eventuais medidas a aplicar.Os marroquinos têm esperança de que a posição assumida seja revista antes do encaminhamento, previsto para o início de Novembro, de uma resposta formal ao pedido de adiamento.

Se a CAF for inflexível e Marrocos efectivamente desistir da realização do campeonato, rigorosas sanções devem ser impostas à selecção nacional e aos seus clubes.A questão que se coloca é saber qual vai ser a posição a adoptar pelo Governo marroquino em face desta encruzilhada. Assumir posição cautelosa, sejam quais forem as consequências económicas e desportivas, ou curvar-se à pressão da CAF.

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