Jornal dos Desportos

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Opinio

Afastamento frustrante

27 de Maio, 2014
A Selecção Nacional de sub-20 está definitivamente afastada da fase final do CAN da categoria, a disputar-se no próximo ano no Senegal. Na penúltima etapa de um percurso irregular, durante o qual revelou muitos e preocupantes defeitos, voltou a falhar redondamente, caindo aos pés de um "desconhecido" Lesoto que jogou muito melhor e demonstrou outra atitude.

Não apenas em Luanda como também nos primeiros 90 minutos, em Maseru. O futebol nacional falha assim uma vez mais a presença numa fase final do CAN de Sub-20. A última presença de Angola foi em 2005, prova disputada no Benin. Um desfecho que não estava na imaginação de ninguém face à diferença competitiva existente entre o futebol de Angola e do Lesoto.

É verdade que o Lesoto está longe de ser uma potência futebolística, mas equipas mais fracas e em condições menos favoráveis são capazes de criar problemas a selecções, à partida com mais personalidade. No ranking emitido pela FIFA no passado dia 8 de Maio, Angola ocupa a 94ª posição com 347 pontos, contra a 141ª do Lesoto, com 159 pontos.

Números elucidativos que definem o quanto foi surpreendente o afastamento dos palanquinhas. A adicionar a esta diferença no ranking mundial há um outro aspecto a considerar. O montante financeiro que assegura a manutenção do futebol dos dois países. O que se gasta em Angola está longe daquilo que os dirigentes do Lesoto gastam.

No somatório das duas eliminatórias, se no ataque foi uma nulidade - Filhão sentiu muitas dificuldades por estar desamparado na frente e numa posição que não é a sua - no aspecto defensivo não esteve muito melhor. O golo de Thabiso Brown, que na primeira mão marcou dois golos, é apenas um exemplo das lacunas reveladas por todo o quarteto defensivo.

Apesar dos incentivos do público, os jogadores angolanos nunca foram capazes de assustar um adversário que jogou mais futebol e justificou plenamente o desfecho da eliminatória. As duas vitórias (3-1, em Maseru e 1-0 em Luanda) falam por si.

E a verdade é que a humilhação em Luanda podia mesmo ser maior, não fosse a forma incrível como o mesmo Thabiso Brown e Tumelo Khutlang desperdiçaram duas grandes ocasiões para violar as redes de Alex, simplesmente a melhor unidade do combinado nacional.

Depois do título continental conquistado em 2001, na Etiópia, sob comando de Oliveira Gonçalves, nunca mais as selecções jovens nacionais conseguiram qualquer êxito no continente. A frustração tem sido a palavra de ordem. Exige-se, da parte da FAF e dos agentes ligados ao futebol, uma séria reflexão. Esta eliminatória confirmou que esta geração de jogadores está longe de encantar e demonstra imensas lacunas.

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