Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Agitao no Progresso

08 de Dezembro, 2018
As águas estão agitadas, lá, para os lados do Sambila. O Progresso Associação do Sambizanga, um dos maiores emblemas da capital, pode estar a viver o pior momento da sua existência. Afectado pela crise financeira que a todos aflige, nos dias presentes, há largos meses que está em dívida com relação aos activos, sobretudo, com o pessoal administrativo.
Tudo indica, que a situação estava a ser gerida internamente, em obediência à concertações entre a direcção e os trabalhadores. Porém, ao incumprimento de uma das partes, no caso a patronal, a lavandaria perdeu as paredes, a roupa está a ser lavada na praça pública. Os lesados vieram a público, em jeito de desabafo e abriram o livro. A coisa está feia.
Diz-se, que à excepção do plantel de futebol, funcionários e atletas que respondem a outras modalidades decidiram paralisar as actividades, por não receberem os honorários há 18 meses, o que na verdade representa um período de tempo colossal, para quem tenha responsabilidades familiares, como parece ser o caso da esmagadora maioria.
Não se sabe ao certo, como o caso se arrastou até chegar à este extremo. Terá o clube perdido os patrocinadores que tinha? Algum \"assalto\" aos cofres? São inquietações que apenas a direcção estará em condições de responder. Esta, porém, anda foragida ou faz recurso a um termo mais simpático, anda incomunicável.
Desde que despoletou o caso, esforços são envidados para contactar a direcção do clube e ouvir a versão no quadro do recomendado cruzamento de informação, porém, sem sucesso. Não se consegue a comunicação, quer com o presidente Paixão Júnior, ou com o seu vice, Manuel Dias dos Santos.
Pensa-se que o caso vem de há muito, contudo, a direcção foi remediando aqui e ali. E, talvez a colocar o futebol em posição privilegiada, como o cartão de visitas da colectividade. Só assim, se pode compreender, que tenha terminado o último Girabola sem qualquer murmúrio, predispondo-se depois à edição seguinte, agora em curso. Se calhar, ainda assim, com alguns pendentes.
Aliás, a rescisão com o técnico Hélder Teixeira, por alegada falta de verbas para manter os seus salários, quando até estava a fazer uma boa época, foi o que precipitou a questão. Ficou subentendido, que o clube estava a passar por algumas dificuldades financeiras que podiam denunciar outras situações, eventualmente, camufladas.
Como se diz, a mentira é como o azeite em água, tudo veio à superfície, a meio da semana. Entretanto, o que escapa à nossa compreensão, é como a direcção permitiu que as coisas chegassem a este ponto! Em gestão, quando nos chegam os sinais de crise, há como acautelar as coisas. Mesmo sem a mesma renda do passado, o clube podia não apostar em contratações onerosas, se fosse o caso podia reduzir o pessoal administrativo.
Permitiu-se que as coisas chegassem até onde chegou, as consequências podem ser drásticas. Os funcionários podem levar o clube aos órgãos de Justiça, modalidades de menor expressão podem ser extintas, mesmo o futebol pode não ter condição para aguentar o Girabola até ao fim. Portanto, muita coisa pode acontecer nas hostes do clube sambila, nos próximos dias. De resto, do Progresso não se espera progresso...

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