Jornal dos Desportos

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Opinio

Ainda a ausncia dos Sub-16

19 de Julho, 2017
Parece haver alguma relutância de boa parte da família do basquetebol, em virtude da posição assumida pela direcção da Federação angolana da modalidade (FAB), que decidiu pela ausência da selecção nacional masculina de Sub-16 no campeonato africano, que decorre nas Ilhas Maurícias.

Muitas são as vozes que acreditam não se terem esgotado os recursos possíveis, no sentido de se obter os aportes financeiros necessários, à materialização da presença do “cinco” angolano na referida competição.

Face aos cortes procedidos pelo Ministério da Juventude e Desportos nos orçamentos das Federações Nacionais, em virtude da crise económica e financeira que o país assiste desde 2014, a FAB viu-se obrigada a “vetar” a presença de Angola na mais alta roda do basquetebol continental para as selecções jovens. Ao que se sabe, foi uma decisão difícil para a equipa de Hélder Cruz “Maneda”, mas inevitável.

O que as pessoas não compreendem é a decisão em cima da hora, depois de várias semanas de preparação e com sinais sempre claros à equipa técnica e aos jovens atletas, de que a participação era um facto. Ou seja, tinha-se como que uma garantia explicita, de que estavam reunidas as condições administrativas e financeiras para o país estar representado nas Ilhas Maurícias.

A direcção da Federação podia evitar alguma frustração do grupo de trabalho, que de forma abnegada e profissional entregou-se de corpo e alma, dia após dia ao trabalho.

Diante de constrangimentos que a crise provoca, como consequência da queda do preço do barril do petróleo no mercado mundial, que se reflecte directamente nas receitas do Orçamento Geral do Estado, os técnicos, os atletas, e os amantes da modalidade iam entender a decisão da FAB, se não acontecesse à última hora, a deixar com isso escapar laivos de algum amadorismo no tratamento das questões.

Com um acompanhamento mais de perto das questões administrativas e financeiras, e maior e melhor entrosamento entre a Federação Angolana de Basquetebol e o Ministério da Juventude e Desportos, podia-se perfeitamente evitar uma “gafe” destas, além das sanções pecuniárias e outros prejuízos de carácter não patrimonial, nomeadamente, a imagem do país e o prestígio que granjeou pela organização que sempre demonstrou.

Conforme se disse aqui, e noutros espaços de opinião deste jornal, tal como noutros meios de comunicação e não só, é importante cada vez mais nos dias que correm, as Federações gestoras das mais diversas modalidades encontrem outras formas de se libertarem da dependência do Estado, e terem-no como suporte complementar no que às finanças diz respeito, sem prejuízo de todo outro tipo de apoios de cariz institucional.

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