Jornal dos Desportos

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Opinio

Ainda o inqurito do Uge

06 de Abril, 2017
Já correu muita água debaixo da ponte, porém, teme-se que o assunto morra sem consequências. O fiscalizador da legalidade, o Ministério Público, no caso, ainda não emitiu qualquer sinal exterior sobre a ocorrência no Estádio 4 de Janeiro, na província do Uíge, com um saldo de 17 mortos.

Há mais de uma semana, foram tornados públicos os resultados do inquérito da tragédia no Uíge, no jogo da abertura do Girabola Zap que colocou frente a frente a equipa da Santa Rita de Cássia e do Recreativo do Libolo.

Segundo os que conduziram o inquérito, a Polícia, o clube Santa Rita, a empresa organizadora e a Associacao Provincial foram neligentes. Tal negligência custou a vida a 17 adeptos, angolanos, cujo único pecado foi ir ao Estádio para assistir o jogo, talvez para eles e outros, um dos poucos divertimentos ao fim de semana.

Esses adeptos acabaram por perder a vida, e a pergunta que se põe, é: será que há alguém responsabilizado, ou o assunto vai ser varrido para debaixo do tapete, como ocorreu noutras circunstâncias, quase similares? Estamos lembrados, dos casos show da LS Republicano, em Benguela, jogo Académica - Kabuscorp do Palanca, no Lobito, só para citar estes.

Os resultados do inquérito da tragédia no Uíge apontam supostos culpados, mas é preciso que a informação não fique por aqui, ou seja, espera-se que quem esteve por detrás das consequências que levaram à morte vários angolanos, seja responsabilizado criminalmente, para que se faça justiça.

Do Ministério Público, enquanto detentor da acção penal e fiscalizador da legalidade, aguarda-se que exerça o seu papel, com os termos subsequentes que uma matéria desta natureza diz respeito, já que não restam dúvidas que estamos diante de um crime público, cuja acção não depende de qualquer participação ou denúncia. Mesmo que assim fosse, o assunto foi largamente noticiado, pelo que afasta desde logo, qualquer argumento neste sentido.

Não se pode fazer vista grossa a este assunto, seja quem for que estiver implicado. Afinal, como disse várias vezes o mais alto magistrado da nação, ninguém está acima da Lei, e esta deve ser respeitada e cumprida por todos, sem qualquer distinção. É por isso que a lei é geral e abstracta.

Aliás, a Procuradoria Geral da República, órgão em que está inserido o Ministério Público, encerrou há dias o seu Conselho Consultivo, e os participantes assumiram o compromisso de dar respostas, com maior rigor, às preocupações que lhes forem apresentadas pelos cidadãos, e colocar à disposição da sociedade mecanismos céleres de acesso aos serviços, mormente, nos casos de recepção de denúncias e de informações.

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