Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Algumas verdades

07 de Novembro, 2013
Como se previa, o Kabuscorp conquistou o seu primeiro título nacional, confirmando a supremacia na prova mais emblemática do calendário futebolístico nacional. Demorou, mas acabou por se consumar. Aliás, dissemos aqui noutras ocasiões que o título era uma questão de espera, pois os números apontavam para uma marcha irreversível da turma do Palanca. A páginas tantas viu-se que nenhuma outra equipa podia pôr em causa o prestígio que o Kabuscorp foi conquistando ao longo da época. Não se pretende dizer que o 1º de Agosto e o Bravos do Maquis, que lhe deram luta na ponta final, se tivessem revelado imaturos. É que os números do actual campeão cresciam de jornada para jornada.

Contudo, devemos realçar que, mais uma vez, voltou a cheirar à falta da verdade desportiva, principalmente nas derradeiras jornadas, onde os jogos de bastidores acontecem em função da condição classificativa de algumas equipas. Não interessa aqui evocar o que se passou, quem saiu prejudicado e quem saiu beneficiado. O que deve ficar explicito é que precisamos de fazer alguma coisa de modo que confiramos ao nosso campeonato maior prestígio, maior dignidade, e isto passa pelo cumprimento de algumas normas. É simples, não precisamos de inventar nada, as coisas já estão inventadas.

Não foi bom por exemplo o jogo de Calulo, na última jornada, ter começado meia hora mais tarde em relação aos outros dois. São situações deste género que fazem com que hoje se fale na falta de verdade desportiva. Afinal sabemos que ela, a verdade desportiva, é fundamental para a concorrência leal e para a justiça nas diferentes actividades desportivas. No entanto, quando o tema é abordado, grande parte das pessoas associam-no imediatamente aos erros sistemáticos que são cometidos, girando quase todas as discussões em volta desses pormenores.

Em função de tudo o que estava em jogo, risco de descida de divisão de três equipas, nomeadamente ASA, Porcelana de Atlético do Namibe, impunha-se, por parte da FAF, maior cuidado e mais sensatez na orientação das coisas. Consentir nas coisas como foram feitas não foi bom quer para quem dirige o nosso futebol quer para a própria competição, que em 35 anos de disputa já devia ter crescido em termos de organização.Para pôr fim a esse estado de coisas, as entidades competentes e reguladoras, neste caso a Federação Angolana de Futebol, devem tomar medidas e agir em conformidade, de forma a que haja realmente verdade desportiva nas competições, de modo que os clubes e as equipas possam competir em igualdade de circunstâncias.

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