Jornal dos Desportos

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Opinio

Angola ainda chora

20 de Agosto, 2018
Uma semana depois, continuam as repercussões sobre o passamento físico de Alberto da Silva “Pepino”. O desporto continua enlutado. Várias mensagens de condolências continuam ainda a chegar às redacções do media, tal é pois a dimensão do homem que nos deixou. Uma prova de ciclismo percorreu ontem, em Luanda, 300 quilómetros em homenagem ao malogrado veterano da modalidade.
De outro modo não podia ser. Pois, Pepino não foi apenas um desportista. As suas virtudes transcendem o mero estatuto de desportista. Era, se calhar, mais um artista ao seu jeito. As suas acções sensibilizavam a todos, desde adolescentes, jovens e adultos. Teve feitos que mais ninguém conseguiu lograr ao longo das últimas cinco décadas. Sequer há registos de ter havido um outro “gladiador de estradas” antes dele.
Ligar Huambo e Benguela a pé, como o fez, já com 53 anos de idade, é obra para poucos. Mas conseguiu-o com todo sucesso, só ao alcance de lebres destemidas, o que terá sido um incentivo para a outra etapa, dois anos depois, já a ligar Benguela a Luanda, vencendo, quase num fôlego, os 700 quilómetros que separam as duas cidades.
Depois que trocou o atletismo pelo ciclismo, fez da bicicleta uma companheira inseparável, sendo que o exercício regular contribuiu bastante para a frescura física, que poucos na terceira idade podiam ou podem exibir. É que com Pepino os anos passavam, com eles a idade avançava, mas a lucidez, a simpatia e o sorriso fácil permaneciam, quase invencíveis, no rosto.
Talvez por isso mesmo, a sua morte nos tenha colhido de surpresa. Pois, era um potencial candidato a transpor a linha dos cem anos e, quiçá, agregar a este número mais dez ou um pouco mais do que isso. Mas, entendeu partir o desafiador de quilómetros, que vimos, em 2005, já perto dos 83 anos, a travar a sua bicicleta, de forma triunfal, defronte à sede da Assembleia Nacional, depois de ter pedalado a partir da sua Benguela natal.
Mas não mergulhemos na catadupa de lágrimas, porque o homem que já repousa no Cemitério da Camunda, deixa obra gigantesca. As gerações de ciclistas das últimas quatro décadas viam nele um verdadeiro poço de virtudes, uma verdadeira fonte de inspiração, e nada vai mudar este quadro. O seu nome ficará intrinsecamente ligado ao ciclismo e ao desporto angolano.
Não tarda, insta-me a consciência, teremos provas de maior realce competitivo com o seu nome, o que até devia ser feito antes, sendo verdade que as homenagens valem mais quando o homenageado esteja presente. “Grande Prémio Pepino” ou “Taça Pepino” poderão constar, provavelmente, num futuro que se pode prever breve, ao calendário de modalidades em que mais se destacou o herói que, na noite de sábado, cortou a última meta da sua façanha pela terra.

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