Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Angola e o Chan

05 de Agosto, 2019
E, tudo o vento levou! Não foi observado o princípio, segundo o qual, no aproveitar está o ganho. Depois de um golo marcado, no domínio do adversário, na igualdade (1-1) dos primeiros 90 minutos da eliminatória, era suposto que os Palancas Negras fizessem jus à condição de anfitriões, no jogo de sábado nos Coqueiros. Tudo apontava mais para o sim do que para o não.
Entretanto, no terreno, os angolanos revelaram-se inaptos na interpretação do que convinha, para seguir em frente. Não souberam tirar partido do calor que recebiam das bancadas, que o adversário não tinha, à partida, nenhum apoiante. E, quando é assim, o desfecho não se pode ser favorável, agradável ou vitorioso. Acabou por ser ruim.
O CAN’2020 já era. É claro que quando se trata de competições a nível de futebol, os fracassos já não surpreendem, provavelmente, é a modalidade mais perdedora de todas que em competições internacionais representam as cores do nosso país. Ainda assim, não se esperava que o afastamento fosse à nascença. Portanto, acabou por ser sem se saber a quem assacar as culpas.
Mas em face do que está a ser nos últimos dias, o quadro do futebol nacional, não tem a Federação Angolana de Futebol como livrar-se de alguma culpa, em tudo isso. Pois, como sempre o dissemos, no desporto as questões de fórum administrativo, regra comum, acabam por ter fortes influências na prestação competitiva das equipas.
Como se sabe, a selecção que esteve em Manzini, resultou de um arranjo de última hora, a começar pela própria equipa técnica, depois do alegado desentendimento que houve entre o sérvio Srdjan Vasiljevic e a direcção da FAF, na sequência da birra que se arrastava desde o estágio em Portugal até Luanda, claro está com passagem pelo Egipto.
Logo, uma equipa forjada do modo como foi, não se podia esperar grande coisa. Em resumo, continuamos, cá entre nós, por encarar coisas sérias que envolvem o nome e a bandeira do país, com menor sentido de responsabilidade. Como se dizia no tempo da outra senhora, andamos a brincar aos futebóis! E, neste ritmo, não chegaremos lá. Há a necessidade de olhar para o futebol de maneira diferente, com outros olhos, ainda que para tal se tenha de mudar tudo e todos.
Angola está, irremediavelmente, fora do CHAN’2020. E, não vale a pena chorar sobre leite derramado, porque a culpa não é de e-Swatini, é mesmo sua, porque envaidecida com os louros do passado, ainda não despertou para a nova realidade, para além de acomodar gente no comando da modalidade, que nem deve saber o que anda lá a fazer.

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