Jornal dos Desportos

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Opinio

Angola est no Egipto

23 de Março, 2019
O país acordou, hoje, na ressaca da explosão festiva resultante da qualificação da selecção nacional de futebol, ao Campeonato Africano das Nações, a disputar-se em Junho e Julho, no Egipto. A qualificação revelou-se um facto, após vitória, ontem, em Francistown, sobre o Botswana, na partida da derradeira jornada do torneio.
Vasiljevic e pupilos cumpriram, com rigor, o que era a sua obrigação, pois, seria uma desfeita se não um balde água fria sobre os angolanos, caso cedessem ao fracasso. Na véspera, todas as equações matemáticas atribuíam favoritismo à equipa angolana, que dependia, apenas, de uma vitória para carimbar o passe para o CAN\'2019.
Diga-se, que os jogadores souberam corresponder, em toda a linha, aquilo que corresponde aos anseios do povo e do país, que desde a África do Sul 2013, duas edições, portanto, não estava presente na maior montra do futebol africano. Foram determinantes, ousados e mais do que isso verdadeiros \"operários da bola\", desferiram um safanão, à onda de crises que perseguiam o país.
Um fracasso, pela forma como estava esquematizado o quadro classificativo das quatro integrantes do grupo, podia revelar-se de uma incompetência incomparável, com a virtude de acentuar mais ainda o fosso já existente , que divide nos últimos tempos o público e a selecção, devido a estar mais propensa a resultados ruins, para não dizer vulnerável em todas as situações competitivas.
Angola inteira está agradecida, espera que a bravura demonstrada não se resuma à fase de qualificação, que venha a ser a mesma no campeonato em que Angola não tem sido bem sucedida. Nas sete participações anteriores, apenas em duas, nomeadamente, no Ghana\'2008 e Angola\'2010 logrou chegar aos quartos -de -final. Nas outras, não transpôs a fase de grupos.
Claro está que neste quesito, mais responsabilidades cabe à Federação Angolana de Futebol, a quem compete criar condições de trabalho ideiais, para um compromisso de suma importância como é a fase final do Campeonato Africano das Nações. Ao menos, deu para ver, que da parte da rapaziada e da equipa técnica, há vontade e determinação para fazer mais e melhor.
Portanto, será uma questão de juntar o útil ao agradável, o resto vem por tabela. Também é importante que em eventos do género, surja sempre a necessidade de mostrar o que foi por nós superado, que a nossa qualificação não foi acidental, mas consequência de mais maturidade evidenciada no terreno de jogo.
De resto, o país está agradecido pelo desempenho que teve a equipa, até à qualificação. Claro que nem tudo foram rosas, momentos houve em que se receou o fracasso, e outros que pareciam devolver alguma esperança. Felizmente, tudo terminou à contento, e futebolisticamente Angola é hoje falada pelas boas razões. É isto, que aumenta o ego do cidadão, que vê na selecção do seu país um símbolo de orgulho. Estamos no Egipto...


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