Jornal dos Desportos

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Opinio

Angolanas do cartas

07 de Dezembro, 2015
A Taça dos Clubes Campeões de basquetebol sénior femininos que ontem encerrou cortinas, na pavilhão multiusos do Kilamba, confirmou as potencialidades da bola ao cesto angolana, no escalão, não obstante a perda do título ao nível de selecções no último campeonato africano, em que as senhoras angolanas não conseguiram chegar ao tri-campeonato, após duas conquistas, que as levaram aos Jogos Olímpicos e ao seu primeiro campeonato do Mundo.

Perder o último africano não significou a perda da sua identidade e da auto-estima, daí a final angolana que redundou no domínio das equipas nacionais, com algumas curiosidades à mistura. Pela primeira vez em 21 edições a final da taça dos clubes campeões de basquetebol feminino foi disputada no país dos dois finalistas, tendo tal já acontecido na versão masculina, em 2007 mas na Cidadela, com vitória do 1º de Agosto sobre o Petro de Luanda.

Interclube e 1º de Agosto têm um historial de finais continentais interessantes e ontem estiveram em confronto para a decisão do título, depois de o terem feito em Marrocos2013 e Tunisía2014. Números interessantes e que revelam que a ascensão do basquetebol angolano feminino em África não foi obra do acaso, mas sim fruto do investimento e do trabalho que se faz no escalão, não obstante o número diminuto de equipas em campeonatos nacionais, o que torna a competição interna algo empobrecida.

Interclube e 1º de Agosto são o grande suporte da competição caseira, e destas duas formações têm saído as jogadoras que alimentam a selecção para as grandes campanhas fora do país, daí que a final ontem disputada nada teve de surpreendente, até porque a formação militar é a agremiação que chegou a mais finais nesta competição, oito, com um título conquistado, enquanto a equipa da polícia é a que mais troféus conquistados tem, quatro, em cinco finais disputadas.

Angola mostrou que com trabalho sério, resgatar o título perdido será apenas uma questão de tempo. A Taça dos Clubes Campeões foi um bom barómetro para medir até que onde é que o basquetebol feminino poderá chegar, após ter colocado nos equipas na final da competição, com o título a ficar naturalmente, em casa. De resto, um cenário que queremos também que se repita na competição masculina que arranca quinta-feira, ainda no pavilhão multiuso do Kilamba, com o país representado por três formações, Petro de Luanda, 1º de Agosto e Recreativo do Libolo.

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