Jornal dos Desportos

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Opinio

Anti-doping no futebol

17 de Fevereiro, 2016
O controlo anti-doping chegou finalmente ao futebol nacional. Era sem tempo esta medida. O nosso futebol deve ser profissional no todo. E não apenas em parte como foi até aqui. Embora nunca houvesse este controlo na competição interna, não podemos no entanto afastar a possibilidades de existir essa prática no Girabola.

O futebol nacional conheceu aliás há alguns anos dois casos de jogadores angolanos que ficaram impedidos de participar nos jogos dos Palancas Negras por acusarem positivo no controlo anti-doping. São curiosamente dois defesas. Ainda que fosse uma situação involuntária ou decorrente da ignorância dos mesmos, de qualquer modo, achamos que estávamos em presença de um sinal vermelho.

Entendemos que era altura da competição doméstica conhecer o controlo anti-doping. Não se trata de uma mera vaidade de imitar o que os outros fazem. O controlo anti-doping repõe para as competições desportivas, futebol em particular, a verdade desportiva e previne eventuais problemas de saúde para os jogadores, muitos dos quais acabam as respectivas carreiras simplesmente por fazerem das substâncias proibidas companheiras inseparáveis.

Não é raro ver jogadores que encurtam as respectivas carreiras por conta disso. Mais noutras realidades do que em Angola, onde o assunto é ainda um tabu. Um assunto ignorado por se entender que não tem utilidade alguma. É uma atitude que pode custar vidas, se não for reparada a tempo.

Quanto mais exigências houver sobre os jogadores, maior é a tentação de apelar ao socorro de substâncias proibidas, para manter a condição física e também a prestação expectável. Em qualquer dessas circunstâncias, estaremos perante uma situação de falta de verdade desportiva, e de um risco para a saúde, de quem consome em particular.

E numa primeira fase como forma de inibir os outros jogadores era necessário que fossem tornados público os resultados, porque não se trata de uma situação que afecta o indivíduo que faz uso das substâncias proibidas. É por um lado uma questão de interesse público e que urge colocar cobro. A publicidade dos casos, ainda que se omita o nome do jogador mas não da equipa, pode funcionar como elemento dissuasor.

E os clubes por sua vez terão de encontrar mecanismos para sancionar os jogadores que incorram no uso de substâncias proibidas, e solidariamente os médicos e treinadores que contribuam. Acreditamos que só um esforço conjunto pode se concretizar a intenção de inibir o consumo de doping.

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