Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Apelo ao trabalho

02 de Outubro, 2014
A Selecção Nacional sénior feminina de basquetebol fechou na segunda-feira a sua primeira participação num Campeonato do Mundo. Na prova que decorre na Turquia, o combinado nacional às ordens de Aníbal Moreira disputou apenas os três jogos correspondentes à fase preliminar, tendo averbado igual número de derrotas.

Apesar de uma preparação aturada, com estágio à mistura, as campeãs africanas encerraram a primeira presença no mundial com saldo negativo em termos desportivos, mas positivo em termos de experiência adquirida, já que o contacto com selecções cotadas a nível do mundo pode ajudar a Selecção Nacional nos próximos compromissos internacionais. Os resultados averbados nos três jogos, derrota por 102-42 com a Sérvia, 65-39 com a China e 119-44 com os EUA eram previsíveis, embora se esperassem números menos dilatados. Mas em campo deu para ver a diferença competitiva entre aquelas selecções e a nossa, pelo que não se podia esperar muito mais das pupilas de Aníbal Moreira.

O importante foi a experiência internacional alcançada no contacto com selecções de topo mundial, o que permitiu às atletas angolanas a convivência com um outro tipo de basquetebol que as pode temperar para aquilo que é a sua verdadeira competição, ou seja, o Campeonato Africano das Nações, Afrobasket, que se disputa no próximo ano e no qual o país vai fazer a defesa do título conquistado em Maputo. Depois disso é preciso não esmorecer nas conquistas alcançadas até aqui. Marcar presença num mundial representou um marco para o basquetebol feminino angolano, e era bom que se continuasse a investir neste sector para que mais vezes o país pudesse estar entre a fina flor da modalidade, não apenas no escalão de seniores como nos inferiores.

Os três jogos realizados deixaram alguns indicadores positivos e, tal como disse o seleccionador nacional, é preciso continuar a apostar no contacto internacional das nossas atletas. Aníbal Moreira aventa a possibilidade de não continuar à frente do "cinco" nacional, por ter chegado ao fim do seu contrato com a federação mas também por ter novos projectos.

Contudo, o ainda responsável da equipa técnica apela à continuidade do trabalho e ao apoio da direcção da federação para o colega que eventualmente o substituir, de modo a potenciar o grupo com conhecimentos técnico e táctico para manter a hegemonia do basquetebol em África. Angola tem um grande desafio no próximo ano e é importante que se mantenha a estrutura ou base desta selecção para o Campeonato Africano. O objectivo vai ser, certamente, a revalidação, e a federação deve o quanto antes equacionar a questão do substituto de Aníbal Moreira, caso este não se mantenha no cargo de seleccionador.

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