Jornal dos Desportos

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Opinio

Arbitragem angolana

01 de Fevereiro, 2014
A verdade é que apesar deste conhecimento ninguém age. Dá a impressão que existe muita gente comprometida com o caso. Têm medo de tomar posições drásticas, porque o Carmo e a Trindade podem cair sobre os seus ombros. Têm as mãos amarradas.

Afinal não somos os únicos a saber que a corrupção tomou conta da arbitragem nacional. O instrutor da FIFA, o sul-africano de ascendência portuguesa, Carlos Henriques, que na cidade de Benguela orientou o seminário de capacitação para árbitros, visando a nova temporada futebolística, está por dentro de tudo o que se passa de mau na arbitragem angolana. Durante a sua dissertação, disse alto e bom som que não está satisfeito com a arbitragem angolana. Disse mesmo que a arbitragem angolana, comparando com os restantes países africanos, é a que menos tem melhorado.

“Não estou satisfeito com a arbitragem angolana. Sou o responsável pela formação de árbitros e árbitros assistentes de 17 países africanos. Todos estão a melhorar, menos os angolanos. Parece o deserto de Moçâmedes, não tem nada”, disse.

A constatação do instrutor da FIFA não é nenhuma novidade. Neste espaço e noutros deste diário desportivo, já fizemos alusão ao assunto. A verdade é que o Conselho Central nunca tomou uma atitude séria, capaz de, uma vez por todas, desvendar todos quantos estão sob o espectro da corrupção.

O instrutor da FIFA não ficou por aqui. Referiu que no Lesotho, um país com poucos árbitros, os homens do apito estão mais capacitados do que os angolanos.

“O Lesotho, um país tão pequeno, que tem poucos árbitros, estes estão melhor que os angolanos.”

A corrupção na arbitragem, em que sobressaem os jogos combinados, mereceu também apreciação do instrutor da FIFA. Para Carlos Henriques, muitos homens do apito têm perdido os empregos e parado na cadeia devido aos “jogos combinados”.

Esta questão levantada pelo instruttor da FIFA deve, aliás, devia, merecer uma séria reflexão da parte não só do Conselho Central mas também das nossas autoridades judiciais. As escutas telefónicas deviam ser a solução perfeita para se descobrir os corruptos, os árbitros, no caso; e os corruptores, no caso, os dirigentes que aliciam os homens do apito.

Os árbitros estão na arbitragem por livre vontade. Devem fazer o seu trabalho com lisura e não tirarem partido da maior capacidade financeira desta ou daquela equipa. Esperemos que o Conselho Central saiba tirar das palavras do instruutor da FIFA as devidas ilações, porque a arbitragem angolana não anda bem. Esta é a verdade.

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