Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

As chicotadas

09 de Abril, 2014
O Girabola prossegue animado jornada após jornada. A prova está perto de cumprir 25 por cento do seu percurso. Ou seja apresta-se a cumprir metade da primeira volta. Competitivamente, não muito próximo daquilo que muito boa gente esperava, regista-se na mesma alguma animação na disputa de lugares cimeiros, mesmo que as equipas tradicionais como o 1º de Agosto e o Petro não entrem nas contas.Entretanto, na onda desta animação estão as inevitáveis saídas e entradas de treinadores. Como estes vivem de resultados, as “chicotadas psicológicas” já começaram a surgir.
Não com o rigor de algumas épocas anteriores, em que as jornadas correspondiam ao mesmo número de despedimentos de treinadores. Apesar de Ernesto Castanheira do ASA, ter sido a primeira vítima, outros treinadores estão igualmente na iminência de serem afastados do comando técnico das suas equipas que orientam.Graças ao desempenho um tanto ou quanto regular de muitas equipas, o receio de voltarmos a viver uma temporada com o afastamento em série de treinadores não paira sobre o Girabola.

Castanheira foi o primeiro técnico sacrificado por maus resultados.Seja como for já há sinais evidentes de uma mudança de comportamento da parte das direcções dos clubes. Vê-se que há mais ponderação e de certeza mais diálogo. Aliás, muitas vezes nós mesmos o dissemos que as chicotadas nem sempre constituem a solução prática para a onda de maus resultados das equipas, que os clubes não se apegassem tanto a elas como escape.Muitos são os treinadores que já foram despedidos sem que fossem eles os principais responsáveis pela ausência de resultados. Para o êxito ou fracasso das equipas conta um conjunto de factores. Muitas vezes o mal é de teor administrativo.

Pois quando os jogadores entram em campo sem motivação porque lhes faltam salários e prémios do jogo, a responsabilidade não pode nem deve ser assacada ao treinador.Em parte pensamos que as direcções de clubes não se devem deixar influenciar pela pressão dos adeptos. Temos em mão um caso prático do treinador do 1º de Agosto. A certa altura, e em função da agitação pública, parecia ter os dias contados. Mas continua a trabalhar, porque a direcção do clube é formada por gente que entende de futebol e que sabe ponderar as situações antes de partir para qualquer decisão.

E mais, quando os clubes tomam posições precipitadas, acabam apenas por "arrombar" os seus cofres ao invés de obter resultados, já que a situação de despedimento os obriga ao pagamento da clausura de rescisão de contrato com o técnico despedido e rubrica de novo contrato de quem entra e que, na maioria das vezes, não faz melhor em relação ao seu antecessor.Na verdade, foi agindo assim com os treinadores que hoje vemos uma legião de treinadores angolanos sacrificados, todos eles no desemprego, quando num passado recente deram mostras da sua capacidade profissional. Não vamos aqui avançar os nomes porque a lista é longa. O certo é que Ernesto Castanheira é só mais um que se junta a este grupo.

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