Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

As nossas infra-estruturas

21 de Outubro, 2017
A organização do CAN 2010 no país bem como a realização de Africanos de basquetebol e andebol bem como o Mundial de Hóquei em patins trouxe consigo uma grande dose de esperança em relação ao aumento de recintos desportivos no país e, por arrasto, uma maior qualidade do desporto nacional.

Em boa verdade, o desporto faz-se com infra-estruturas e o país carente nesse aspecto ganhou recintos de qualidade que deveriam servir as diversas disciplinas desportivas que aqui se praticam.

O país gastou dinheiro, mas o CAN trouxe estádios para Luanda, Benguela, Cabinda e Huíla, recintos que em nada ficavam a dever em nada aos melhores estádios do Mundo nos diversos cantos do globo.

Só que não basta criar infra-estruturas. É preciso cuidar da sua manutenção e este é o principal busílis neste momento. Alguns dos recintos do CAN, senão todos, estão a degradar-se, sem serviram para o que foram construídos.

Em alguns casos a sua gestão está indefinida, o que adensa ainda mais o seu futuro, situações que devem ser clarificadas por quem de direito, porque o dinheiro que se gastou para a sua construção não por ser deitado ao lixo, ante a indiferença de quem deveria cuidar disso.

Da Huíla vem um grito de socorro do director provincial do Ministério da Juventude e Desportos, quando revela que as infra-estruturas construídas pelo Estado, três das quais nos últimos dez anos na província, precisam de 204 milhões de kwanzas para a sua manutenção anual.

O Estádio da Tundavala vê toda sua imponência arquitectónica degradar-se há cerca de dois anos sem que nada ponha cobro à \"travessia no deserto\" que efectua, com casos caricatos à mistura, como o desaparecimento do gerador que servia de fonte alternativa de energia eléctrica no recinto.

O cenário de degradação estende-se aos pavilhões multiusos da Nossa Senhora do Monte, construídos para suportar o Afrobasket\'2107, recintos que morrem lentamente fustigados por ventos frios, sóis das terras altas e molhados pela chuva.

Se nada for feito, vai chegar o tempo em que a sua demolição ou o abandono total será o caminho mais viável a seguir, porque a sua recuperação será altamente onerosa em termos de valores.

Com isso perdemos todos, o Estado que vê os seus investimentos sem retorno, os contribuintes e os jovens daquelas paragens que ficam privados de espaços para a prática desportiva.

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